Opinião
Últimas

30 Anos de Surf – 1990/2020 – Rafael Gomes Amorim

O Surf não é apenas um desporto...

Destaques

  • Rafael Amorim, praticante e apaixonado pelo surf, jurista e investigador do Jus Gov, começa hoje uma série de crónicas descrevendo as suas experiências durante os seus 30 anos de surf.

Todo o ser humano, por muito que não o queira, tem tendência num determinado ponto da sua vida em fazer balanços e estabelecer marcos. Não sei se é por ter chegado aquela idade em que, possivelmente e com boa esperança, terei ultrapassado metade da minha vida, o certo é que este ano, tanto quanto recordo, farei 30 anos de Surf com inúmeras lições, episódios e experiências.
Ao longo das últimas três décadas o Surf tem sido uma parte importante da minha vida. Pretendo partilhar convosco essas experiências, nas pequenas crónicas que irei escrever, demonstrando, quando possível, que o Surf não é apenas um desporto.

Se fosse como a corrida, futebol, basquetebol, golfe ou natação, garanto-vos que este rapaz, que sempre teve uma avaliação sofrível nas aulas de educação física, não estaria a falar sobre isso.
Pela ligação que estabelece com os seus praticantes, imersos em sal e tocados pelo sol, o Surf coloca-os perante desafios, testa limites física e mentalmente, o que se reflete em todas as dimensões da nossa vida. Mike Doyle disse-o, há muitos anos, que se existir uma ligação forte ao Surf isso afeta a forma como tu organizas a tua vida (Doyle, et al., 1993) a. Até porque, como cantam os Beach Boys, “Surfin’ is the only life the only way for me.” (Boys, 1963).

Surf é uma subcultura – assunto ao qual podemos voltar no futuro – que articula, dentro de uma determinada atividade, diversas particularidades que nos individualizam, definem e distinguem dentro de campos tão díspares como a pintura, cinematografia, cultura, música, alimentação, responsabilidade ambiental, entre muitos outros, com a preocupação de aproveitar cada momento da nossa vida como se de uma onda se tratasse.
Não vou conseguir enumerar todos as praias onde tenha surfado, todos os episódios ou os amigos que fiz. Mas, há algumas referências que devo fazer pelas memórias que me trazem e pelas sessões de Surf que, em alguns casos, transportam-me para momentos especiais da minha vida. Até porque, como escreve Francisco Cipriano (Leal, et al., 2012) “Não é preciso viajar muito para encontrar um recanto pacato e poder-se desfrutar do melhor do surf e da harmonia entre homem e natureza”. E estas décadas e os milhares de km que fiz comprovam isso.

Também não irei elencar nomes, sob pena de me esquecer de alguém que não merece que isso aconteça, mas quem comigo surfou ou passou por alguns destes episódios, irá esboçar um sorriso, verter uma lagrima ou recordar-me de algo que não referi. Nem pensem que irei ter alguma preocupação cronológica com as mesmas pois, à medida que as memórias surgirem, tentarei colocá-las em texto.

Com todas as dificuldades de quem têm uma atividade profissional e acadêmica exigente, responsabilidades familiares, maravilhosamente casado, com uma pequena princesa de dois anos e vive, neste momento, a 30 km da Praia mais próxima e precisa acordar de madrugada, qual Frosty Hesson (Hanson, 2012) , para surfar, tenham alguma paciência com algum lapso que possam cometer e acreditem que vivo com o lema do Kelly Slater, com a devida vénia e humildade que se exige, que o meu melhor Surf continua à minha frente.

* Por Rafael Amorim

Referências:
Boys, Beach, [comps.]. 1963. Surfin' U.S.A. s.l. : Capitol Records, 1963.
Doyle, Mike and Sorensen, Steve. 1993. Morning Glass: The Adventures of Legendary Waterman Mike Doyle. 1.ª. UK : Atlantic books, 1993.
Hanson, Curtis. 2012. Chasing Maverick. [Cinema]. [perf.] Gerad Butler. 2012.
Leal, António Pedro de Sá and Cipriano, Francisco. 2012. Portugal Surf Guide. 1.ª . Lisboa : Uzina Books, 2012.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta