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“Os Falta D’Ar” com fôlego para novas corridas

“Os Falta D’Ar” são a associação com um nome curioso, da praia de Cortegaça, em Ovar, que organizam a Meia Maratona local há 35 anos, mas não se ficam por aqui: Lançaram recentemente o projecto “Run Villa 2019”, que consta de corrida e caminhada e axcontece todas as quintas-feiras, a partir das 21h, com encontro na Praça comendadador Álvaro Rola.

“As corridas e/ou caminhadas nocturnas, espalhadas por todo os país, ganham cada vez mais adeptos e no concelho de Ovar não será excepção”, explicam os “Falta D’Ar”.

Foi em 1976, com o início da massificação do desporto, que tudo começou com um grupo de amigos que se juntava, ao domingo de manhã, em Cortegaça, para correr, aproveitando o aprazível percurso florestal. Era o tempo da lixeira de Maceda, entretanto selada, mas que exalava um odor que dificultava a respiração. Reza a lenda que alguém do grupo, um dia, num dos “comícios” (encontros gastronómicos) lançou a boca: “Isto é tudo uma cambada de falta de ar”. Estava encontrado o nome do grupo.

No dia 7 de Outubro de 1987, no Cartório Notarial de Espinho, quando 24 elementos assinaram a escritura da constituição de uma associação chamada “Os Falta D’Ar”, provavelmente, um dos nome mais curiosos para uma agremiação desportiva em Porrtugal.

Quando se formalizaram, já “Os Falta D’Ar” organizavam a Meia Maratona de Cortegaça, na altura, em colaboração com o Clube de Campismo e Caravanimo “Os Nortenhos”, concessionários do Parque de Campismo de Cortegaça. Os “comícios” continuaram, assim como a Meia Maratona, sua prova rainha.

“A faixa etária actual dos fundadores já vai nos 70/80 anos porque já começaram tarde, com 40 e mais anos”, explica António Godinho, presidente da direcção da “Os Falta D’Ar”. “Era tudo pelo desporto, pelo convívio e umas patuscadas pelo meio. É esta a mística d’“Os Falta D’Ar”, confessa.

Tendo entrado mais tarde, António Godinho mantém a tradição mas quer rejuvenescer a associação para imprimir mais juventude aos “Os Falta D’Ar”. “Sou dos mais novos, entrei há cerca de 15 anos”, revela o dirigente que não esconde as “dificuldades em captar malta nova para a associação”. Aliás, a lista que está a preparar para a direcção “não pode fugir muito dos que estão”. António Godinho defende que “uma associação como a nossa devia ter um presidente com uns 60/70 anos, reformado, com tempo livre e uma malta nova a ajudar”. “Eu sou patrão e faço o meu horário, mas compreendo que quem não é não pode faltar para ir assinar protocolos, por exemplo”. E o associativismo agora dá trabalho: “Temos que ter um projecto, um plano de actividades, uma série de requisitos, como as contas em dia perante as Finanças, isto já é uma empresa em ponto pequeno, é preciso estar atento e dá trabalho”. Depois há toda uma pleíade de atracções para os mais jovens. “Esta malta dos 25/30 anos prefere os BTT e os Trails do que correr e mesmo para virem aos petiscos, é difícil arrancá-los de casa e dos Facebook”.

“Os Falta D’Ar” têm que apresentar contas, devendo agendar uma Assembleia Geral para o efeito e António Godinho promete “uma tainada, caso contrário não aparece ninguém. Vamos ao pinhal fazer uma patuscada lá para Setembro para não faltar ninguém”, acrescenta, rindo.

A “Meia” em 2020
A Meia Maratona de Cortegaça conheceu este ano a sua 35.ª edição. “Organizamos, durante muitos anos em parceria com os Nortenhos, mas depois os apoios começaram a falhar e nós tivemos que arcar com tudo sozinhos”. A prova tinha então a meta instalada junto do Parque de Campismo e agora acaba na Avenida da Praia, um cenário que confere outra amplitude à prova.

“O nosso trajecto é maravilhoso, falta só acertar o piso por causa das raízes das árvores”. O presidente de “Os Falta D’Ar” garante que ainda ninguém tropeçou, mas “devemos prevenir e vamos pedir à câmara para tentar arranjar”. “A Câmara Municipal de Ovar é a nossa principal patrocinadora, mas as empresas e o comércio local também nos ajudam e muito”. Olhando para as provas à volta, António Godinho sonha. “Claro que se a EDP ou outra empresa destas assim pegasse nela era logo outra coisa, porque os nomes sonantes do atletismo aparecem se houver bons prémios”.

E depois uma coisa puxa a outra. “Quando um atleta conhecido está presente atrai logo mais gente para ver”, constata. Garantidamente, a 36.ª Meia-Maratona vai sair para a rua em 2020. A prova reúne sempre perto de dois mil atletas que ligam a correr as praias de Cortegaça e do Furadouro, numa das mais emblemáticas provas do calendário e uma das mais antigas do país, que se realiza sem paragem.

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