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A pé ou de bicicleta, passadiços convidam à descoberta

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Ovar também tem passadiços. Se eles estão, indubitavelmente, na moda, convém dizer que o nosso concelho também os tem. Então a nossa proposta para as férias é começar por aquele que nos transporta, calmamente, pelas praias do concelho de Ovar, em forma de ecopista pedonal ou ciclovia.

Para conhecer as praias da costa vareira, agarre então na bicicleta, calce as sapatilhas e deixe-se conquistar por uma paisagem de mar, floresta, ar puro, cheiro e contacto com a natureza.

A Ecopista do Atlântico é uma ligação entre as praias do Furadouro e de Esmoriz, passando por Maceda e Cortegaça. A via acompanha a Rua da Floresta e a Avenida da Nato, é uma pista para peões e bicicletas que atravessa um extenso pinhal de terrenos arenosos num paisagem típica de mata atlântica. São dez quilómetros de pura calmaria, uma lavagem de alma, com o Sol a espreitar de quando em vez entre os pinheiros, trazendo mais magia ao percurso.

Inicie o passeio pela praia do Furadouro (foto principal de Mário Cunha), berço das varinas que “colonizaram” a costa até Lisboa, pois migravam sazonalmente para a pesca do sável no rio Tejo, regressando quando a época terminava. Progressivamente, foram-se fixando em Lisboa, em bairros típicos como a Madragoa e Alfama, ou junto ao rio, constituindo várias comunidades piscatórias. De canastra à cabeça, percorriam os populares bairros lisboetas, apregoando o peixe de porta em porta.

No Furadouro, com alguma sorte, pode encontrar uma destas populares figuras. Aliás, as tradições pesqueiras da Xávega continuam presentes nos barcos típicos “estacionados” no areal com as redes a enfeitar a costa.
As notícias da voracidade do mar a cada Inverno que passa faz-nos pensar que a praia do Furadouro está sempre perto de desaparecer. No entanto, qual Fénix, a praia renasce a cada verão, oferecendo um extenso areal e toda uma zona envolvente de vegetação natural onde sobressaem simpáticos passadiços de madeira que protegem a paisagem dunar e nos transportam aos areais.
Os bons acessos e a animação diurna e nocturna proporcionada pelos apoios de praia, fazem desta um dos destinos de Verão mais procurados, na região centro.

Voltamos à Ecopista do Atlântico que nos leva à próxima praia: Maceda. Recuperada, recentemente, para o uso balnear, posssui um extenso areal, é muito procurada por surfistas, sendo rodeada por uma zona arborizada propícia a piqueniques em família. Tem um apoio de praia onde se pode saborear frutos do mar.
Próxima paragem: Cortegaça. Rodeada por dunas e pinhal, como é característico nas praias desta região, esta praia possui um vasto areal com boas infraestruturas de apoio e um parque de campismo muito bem localizado.
Já apelidada de Vila do Surf, é banhada pelo Atlântico e a sua ondulação oferece óptimas condições para a prática da modalidade. Com peixe fresco variado, as ementas dos vários restaurantes localizados junto à praia, recordam as ancestrais tradições piscatórias da vila.

Passadiço da Barrinha
Ponto seguinte do itinerário, via passadiço Ecopista do Atlântico, é a praia de Esmoriz. O seu extenso areal é garantia de haver espaço disponível para as brincadeiras na praia. Em terra com tradição na modalidade, dispõe de redes de voleibol de praia, tem diversos apoios de praia e animação nocturna nos vários bares da cidade esmorizense.
Aqui, “engate” a Ecopista do Atlântico e junte-se aos milhares de visitantes que já percorreram os oito quilómetros de passadiços e pontes da Barinha de Esmoriz, criados para facilitar a descoberta dessa zona marítima e respectiva avifauna.

Entre essas destaca-se o garçote (Ixobrychus minutus), a garça-vermelha (Ardea purpurea), a águia-sapeira (Circus aeruginosus), o pernilongo (Himantopus himantopus) e o pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica), a que se juntam ainda animais em situação vulnerável ou em perigo como a rã de focinho pontiagudo (Discoglossus galganoi), a enguia-europeia (Anguilla anguilla) e o morcego-rato-grande (Myotis myotis).
O Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta acrescenta ainda a essa lista a campanulácea (Jasione lusitânica), espécie vegetal endémica dos areais do litoral noroeste “significativamente ameaçada”.
Salvador Malheiro diz que a costa vareira dispõe, hoje, de uma “oferta diversificada no tocante à tipologia das nossas praias”. “Numa costa com 15 quilómetros, temos praias de cariz urbano, como é o caso de Esmoriz, Cortegaça e Furadouro, e praias direccionadas para os amantes da natureza e praticamente virgens, como é o caso da praia dos Marretas e de Maceda”, acrescenta.
Para segurança dos seus utilizadores, as estâncias balneares apresentam um total de onze bandeiras içadas ao vento. Todas apresentam Bandeira Azul, mas nas praias de Esmoriz, Cortegaça e Furadouro foi também içada a Bandeira de Praia Acessível. Recorde-se que as praias do Torrão do Lameiro, Cortegaça e Furadouro são praias de Qualidade de Ouro, título atribuído pela Quercus.

Marretas na costa

Herdou o nome de uma antiga companha de pesca que ali operou nos anos 80 do século XX que, por sua vez, foi buscar o nome à popular série de televisão comandada por Jim Henson, da mesma época. A praia dos Marretas é a única praia do concelho de Ovar que não é servida pela Ecopista do Atlântico. Mas é uma das 390 praias portuguesas que a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza – identificou com “Qualidade de Ouro”. Tem vigilância, WC, um único acesso e não possui apoios de praia ou bares, numa aposta de ingerência mínima no que a natureza oferece.

Falta falar da praia fluvial do Areinho, cujo uso balnear caiu em desuso após a última dragagem da Ria. A Câmara Municipal de Ovar espera poder devolvê-la à população depois da próxima empreitada de limpeza do leito da Ria, em 2019.
Aguardam estas duas que o projecto Cicloria – empreendimento realizado em parceria com os Municípios vizinhos de Estarreja e Murtosa, se estenda a Ovar, pela EN327.

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