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Sabe quem era a “Varina” de Eduardo Malta?

O quadro “Varina”, de autoria de Eduardo Malta, pintado em 1942, teve um “modelo” que era mesmo de Ovar. A figura de uma Varina, em toda a sua beleza e singularidade, foi aqui captada num momento de rara arte.

O quadro é, hoje, muitas vezes repercutido sempre que se fala ou aborda a figura da “Varina” de Ovar que, além de ficar a espera do marido enquanto este ia para a faina que lhe dava e aos filhos o sustento, andou a apregoar o peixe pelas ruas de Ovar, num postal vivo que ainda hoje, com alguma sorte, é possível encontrar (urge gravar este património, sob pena de se perder para sempre)-

Pois bem, a figura retratada é Irene dos Santos Ramiro, natural de Lisboa, mas casada com Dionísio Gomes Ramiro, este sim, de Ovar. Segundo se sabe, a Dona Irene veio viver para a então vila de Ovar, onde faleceu na Rua Visconde de Ovar, em 1977, com 68 anos, segundo conta o jornal “João Semana“, numa edição de 2009.

Na sua estada em Ovar, Eduardo Malta terá ainda pintado duas primas de Irene, na mesma ocasião, uma delas de leiteira e outra de peixeira, mas estes quadros não surgem na sua colecção de figuras típicas onde se inclui a “Varina”.

Eduardo Malta (1900–1967) foi um dos mais extraordinários desenhadores e retratistas portugueses da primeira metade do Século XX. Segundo reza a história, além da reprodução exacta do aspecto exterior das pessoas, Eduardo Malta tinha a capacidade de apreender o lado psicológico dos retratados.

Foi aluno da Escola de Belas-Artes do Porto, conquistou, em 1936, o Prémio Columbano e a medalha de Ouro da Exposição Internacional de Paris de 1937. Ricardo Espírito Santo foi seu Mecenas.

Na sua extensa galeria de retratos, figuram homens célebres na arte e na política, como Teixeira de Pascoaes, Aquilino Ribeiro, Augusto de Castro, Amália Rodrigues, Salazar, Cardeal Cerejeira, o Presidente do Brasil Getúlio Vargas e o político espanhol José António Primo de Rivera.

A 31 de Maio de 1958 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e foi director do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, de 1959 a 1967. A sua nomeação foi muito contestada, incluindo um abaixo-assinado, devido à sua assumida oposição à arte moderna.

 

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