Opinião

Bom Dia Vietname! Rosendo Costa (Parte I)

Antes as viagens em trabalho resumiam-se à China continental. Hoje, a empresa expandiu-se no sudeste asiático, há clientes na Coreia do Sul, Índia, Japão, Vietname e Tailândia. Nova expansão, significa novo mercado, novos parceiros, clientes, conferências, reuniões. O ano passado realizei o meu sonho de infância de ir ao Japão – crónica que deixarei para outra altura – por conta da empresa, este ano, fui ao Vietname pela segunda vez.

Já lá tinha estado o ano passado de férias com a empresa em Nha Trang, uma cidade com um clima fantástico plantada à beira-mar, onde se nada no mar das cinco da manhã às dez da noite e onde há restaurantes cujo rodízio inclui carne de crocodilo e jibóia. Um paraíso digno de filme de “la vida loca”, nadar no oceano às nove da noite, na quente água do mar, enquanto chove a potes!

Desta vez foi no interior, nas grandes urbes: Ho Chi Min e Hanói.

Do Vietname já tinha o sabor do marisco fresco e delicioso, do fantástico e aromático café vietnamita, da simpatia e humildade das suas gentes. Desta vez não foi diferente, excepto ter sido enganado duas vezes no táxi…

Comecei no Sábado dia 18, apanhando um voo directo de Pequim para Ho Chi Min, aproximadamente 5 horas. O voo não ia cheio, então as filas de assentos estavam ocupadas por apenas uma pessoas estendida, e deitada sobre os três assentos. Fiz o mesmo e com o milagre do sono, o tempo voou.

Cheguei perto da uma da manhã, apressei-me a entrar num táxi à pressa, que nem desconfiava que me iria pedir quase quarenta Euros para me levar ao hotel.
Chegado ao destino ainda debati o preço, mas como era noite, estava sozinho noutro país, não quis arranjar problemas com o taxista, paguei e pedi um recibo para meter nas despesas da empresa.

Há dois tipos de pessoas: as que chegam de noite a um novo destino, tomam um banho e aterram e as outras que não conseguem ir para a cama sem ir dar um giro e fazer uma missãozinha de reconhecimento nos arredores. Eu sou deste segundo tipo! Depois do check-in, tomei um banho rápido e apressei-me a dar um giro pela vizinhança.
Era cerca da uma e meia da manhã, cidade vazia, escura e deserta. No entanto, ainda descobri um tasco de rua aberto onde comi uns fantásticos noodles com vegetais e marisco e bebi uma cerveja “Saigon”.

Regressei ao hotel numa cidade movimentada já sem vida nem luz e adormeci.

No dia seguinte, acordei cheio de”pica”, eram oito e meia, tomei um duche, vesti uma t-shirt e uns calções e zarpei para tomar o pequeno-almoço no hotel e beber uma taça do fantástico café vietnamita – um café de sabor forte, encorpado, aromático, que dispensa açúcares ou apresentações, é simplesmente o melhor café do mundo e ponto!

Era Domingo, lembro-me perfeitamente porque tinha o dia planeado para passear e conhecer sítios e não para trabalhar como aconteceu mais tarde.

Saí do hotel, caminhei, vi uma cidade super movimentada com dezenas, centenas de motos a andar freneticamente dum lado para o outro! Nunca vi nada assim, fiquei perplexo, quase atropelado dezenas de vezes com os desvios malucos que faziam quando passavam por mim e um cheiro único a gasolina no ar, mas… a cidade é bonita!

Não tem metro, não tem edifícios todos modernaços – tirando a torre de Saigão -, mas dá prazer passear nela. Edifícios tradicionais, ruas embelezadas por palmeiras e plantas tropicais, uma cidade amigável onde se nota a influência da colonização em cada esquina.

Gravita vida, gravita actividades e ofícios tradicionais, está repleta de pequenas lojas e restaurantes tradicionais e de cafetarias. Sim, o conceito de cafetaria que só encontramos paralelo em países como Portugal ou Itália, do pequeno proprietário que tem um cafézinho decorado e não como na China em que só existe o serviço e decoração fria e impessoal dos “franchisings” do Starbucks, Esquires ou Costa.

Nessa manhã visitei um jardim, igrejas, a famosíssima Estação de Correios de Saigão e mais uns edifícios, mas uma mensagem mudaria os meus planos… Uma mensagem de trabalho inesperado para reunir com um cliente durante a tarde numa cafetaria… A minha visita turística, ficaria por aí nesse dia… mas não o roteiro gastronómico, ao jantar…

Rosendo Costa

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