Sem categoria

Certificação Ambiental de Praias – Destino Turístico Ecológico

Muito se tem falado acerca da defesa da costa e mais uma vez o elo mais forte encontra-se em vantagem. Lei natural favorecida pelas tácticas repetidamente erradas do Homem e mais uma vez pela sua incapacidade de trabalhar conjuntamente.

São apontadas novas medidas conjuntas e integradas (várias entidades e vários municípios) como paredões paralelos à costa, paredões submersos, podendo gerar energia, sendo concentradores de vários bivalves e potenciadores do surf e eventualmente de outros desportos naúticos. Arriscava-me até a ousar pensar em algum pequeno porto de abrigo quer para pescadores quer de recreio. A errar, erre-se de maneira diferente, tente-se o que nunca foi tentado. 

Vamos ver se termina mesmo a era da pedra (na defesa da nossa costa é literalmente nessa era que estamos). Parece que a água mole em cabeça(s) dura(s) tanto bate até que fura!

Se realmente as obras forem realizadas (invocação a São Tomé: ver para crer!), Ovar será pioneiro.
Todos conhecemos a Bandeira Azul, será ela ainda hoje uma distinção tão honrosa? É factor de diferenciação ou um mero pro-forma a que nos habituámos e não mais do uma fotografia instantânea tirada num momento e que determina quase sempre o mesmo resultado?

Bandeiras Azuis são para qualquer um. Já se falarmos de certificação ambiental duma praia e rótulo de destino turístico ecológico é qualquer coisa de diferente. Uma empresa certificada na norma 14001 não é novidade, um hotel com rótulo ecológico também não, agora um conjunto de praias e um município ainda cabem no capítulo da inovação.

A certificação ambiental duma praia obriga a monitorização constante da qualidade da água, limpeza, acessibilidades para pessoas com incapacidade, carrinhos de bebés, chuveiros e balneários, serviços de saúde e sobretudo exige um acompanhamento, auditorias e dedicação permanentes, comunicação/informação de tudo isto ao público com prazos devidamente estipulados, sendo a prestação de contas e resultados igualmente permanente. 
Porque não usar os websites camarários e regionais para veícular previsões de temperaturas, estado do mar e marés, utilizar webcams como mais uma forma de voltar a aproximar um público das suas praias naturais, que com este estado confrangedor de condições muito se afastou?

O município de Alcudia (ilha de Maiorca) é um exemplo do que se pode realizar em termos de valorização das praias e em simultâneo é também um concelho classificado como Destino Turístico Ecológico, pelas suas inúmeras belezas naturais, património arquitectónico, conseguindo uma fantástica, mas sustentável exploração das potencialidades turísticas.

Por aqui existe mar, existe Ria, existe uma Barrinha, há património diverso de extrema riqueza e há boas acessibilidades, porque não dar também um passo neste sentido de distinção, diferenciação e visibilidade…

Primeiro tratar das feridas profundas, depois do doente recomposto porque não ser ambicioso e audaz?

Sérgio Chaves
* O autor não aderiu ao novo acordo ortográfico.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta