Opinião

Com Cabeça, Tronco e Membros – Sérgio Chaves

Li com atenção e entusiasmo a entrevista do director da Ryanair, o irlandês Michael O`Leary, ao Diário de Notícias na passada semana.

Desta vez não foi polémico, mas vincou bem outra das características que lhe é reconhecida: pragmatismo!

Referiu que os aeroportos de Faro e do Porto estão bem organizados e suportam ainda bastante tráfego, que a sua empresa vai tentar incrementar. Se é verdade que o Porto consegue dar a volta por mérito e dinâmica das suas gentes, não é correcto omitir que um bom empurrão tem sido dado desde a instalação da Ryanair. No entanto a conversa centrou-se em Lisboa, onde transporta menos de metade dos passageiros que considera serem perfeitamente viáveis para a nossa capital. O seu plano passa por Portugal abrir a base do Montijo para estes fins civís, construindo as infra-estruturas por módulos à medida do necessário.

E não é que O`Leary com a sua racionalidade e pragmatismo arrisca-se a estragar as negociatas!? Então a Vinci, vencedora da privatização da Ana, empresa gestora dos nossos aeroportos, escancarou as portas da Portela a O`Leary (para que este instalasse mais uma base da Ryanair), que seguindo a sua dinâmica natural se iria encarregar de saturar o aeroporto de Lisboa, desfanzendo assim as dúvidas quanto á construção do novo aeroporto, na margem sul, seguido de mais uma ponte, e mais o TGV.

Assim, a já accionista das duas pontes sobre o Tejo podia juntar ainda a construção duma terceira ponte e dum novo aeroporto.     Como diria o outro (mas antes de ir para a EDP): é um fartar de vilanagem!

Desejo que a Ryanair traga cada vez mais visitantes a Portugal, e que preservem bem o precioso e central aeroporto da Portela e deixem o homem ir para o Montijo, para daqui a uns anos não estarmos a contar mais nenhuma história triste de obra megalómana que não podemos pagar.

Por fim, relato algo que o irlandês também contou e nos deve orgulhar: que nos julga dos melhores países do mundo para visitar, e que todos os anos cá fica algum tempo.

Sérgio Chaves  
* Autor não aderiu ao novo acordo ortográfico

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