Opinião

Dia de Festa – Florindo Pinto

A procissão saiu à rua e os autarcas aproveitaram a oportunidade para se disfarçar de gente trabalhadora. Terão sido convidados, oficialmente e com o intuito de representar as autarquias. Mas, optaram por tornar em palhaçada folclórica, uma procissão, que se pretendia fosse de cariz religioso e bem vincado. A igreja estava lá representada.

Claro, que, em tempos de liberdade, cada um tem o direito de, no respeito pelos outros, agir como bem entender. Os autarcas disfarçaram-se de pescadores, aparentemente, tudo bem, se não o fizeram com o propósito de insultar a classe. Mas, ficou tudo mal, quando se alinharam na procissão, naquele espaço que estava reservado e devia ter sido ocupado pelas Entidades Oficiais.

Quiseram ser povo, ocupavam o lugar do povo e, depois da banda passar, iniciavam a sua marcha, misturados com o povo. As pessoas eram as mesmas, os cargos, não.

Depois, até houve pé descalço. E este comportamento fez-nos recuar no tempo e lembrar Egas Moniz, que “era um homem de palavra”. Mas, a causa, garantidamente, não era a mesma. Vivemos outros tempos e rodeados de outras gentes.

Já em Janeiro do ano de 1928, a Lei impunha a proibição do “pé descalço” e uma das razões apresentadas, prendia-se com a condicionante do “anti-higiénico”.

A proibição mantém-se. A falta de respeito à Lei, aconteceu.

Massano Cardoso, em 21 de Janeiro de 2010, escrevia e publicava; “hoje, os pés, felizmente, não andam descalços, o pior é a outra extremidade; onde se aloja o “Juizinho” e, vendo o que circula por aí, também anda “descalça”, descalça de ideias, descalça de valores e descalça de princípios”.

Florindo Pinto
30.08.2019
Esmoriz

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