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Homem de Ovar disparou contra o Prémio Nobel

Sabia que foi um homem natural de Ovar que disparou oito vezes contra o médico neurogista, António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, natural de Avanca, que iria tornar-se em breve Prémio Nobel da Medicina?

Foi a 14 de março de 1939, uma terça-feira, que Gabriel Coedegal de Oliveira Santos, 28 anos, um vareiro residente em Coimbra, engenheiro silvicultor na Repartição dos Serviços Florestais, entrou num consultório na Rua do Alecrim, em Lisboa.

O paciente pediu‐lhe uma receita para umas “ampolas mais enérgicas”, mas, na realidade, essa era apenas a antecâmara para uma tentativa de homicídio. Pouco depois de começar a escrever, o médico sentiu que “a pena lhe saltara da mão”. Tinha sido o primeiro tiro. Foi tudo tão surpreendentemente rápido que só “à quinta bala”, depois de o agressor ter “despejado as cargas da pistola automática” nas suas costas, é que Egas Moniz “pressentiu que estava a ser atacado”. Tentou levantar‐se e recebeu mais dois tiros. Até esta altura, só uma bala não lhe tinha acertado. A oitava também falharia o alvo, por “um palmo”, e atravessaria a porta do consultório. O paciente fugiu aos berros:

– Matei o doutor Egas Moniz!

Segundos depois, entrou Eduardo Coelho, que trabalhava no mesmo andar, e outro médico. Egas Moniz foi melodramático:

– Deixem‐me morrer aqui tranquilamente. Estou mortalmente ferido. Esse desvairado crivou‐me de balas. Não posso resistir. Eduardo Coelho foi prático: juntamente com o colega, chamou uma ambulância. Egas Moniz sobreviveu.

A morte dar‐se-ia mais tarde, a 13 de dezembro de 1955.

Gabriel era um doente mental que, no culminar de uma crise de paranóia, o alvejou com oito tiros, dos quais cinco o atingiram na mão direita, no tórax e na coluna vertebral. Egas Moniz viu serem-lhe retiradas três balas, mas uma ficou alojada na coluna dorsal. Apesar da gravidade dos ferimentos, Egas Moniz recuperou por completo, sem qualquer sequela física, ao contrário do que algumas vezes se tem escrito.

O “Observador” conta hoje a história do cientista que celebraria 145 anos. E ganhou o Nobel há 70.

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