Opinião

O 25 de Abril de 1974 foi conquista do POVO -Salvador Malheiro

Portugal acordara naquela madrugada do dramático e demoníaco pesadelo e propunha-se honrar a sua História, procurando os caminhos do futuro, que nunca poderiam ser os da pobreza, do isolamento, da ignorância, da ilegalidade e da tirania.

Na verdade Fernando Pessoa tinha razão — o Pessoa que já não vivera a hora — quando nos asseverou, em certa altura, de que “Vale a pena! E só não vale a pena para os que têm alma pequena”.

Efetivamente, uma coisa fora a milícia que nos dominara e amesquinhara, e outra o Povo que jamais claudicara nem perdera a Esperança, porque sempre tivera uma alma grande que, nem todos os ditadores juntos, conseguiram perverter ou erradicar.

A História desse Povo ainda está por contar e merece bem ser recordada, na singeleza das suas existências precárias, na valentia dos que se não rendem — vencidos, mas não convencidos — esse povo que povoara os campos do extermínio, e vivera doridamente exilado dentro da sua própria Pátria. Que venham os escritores, que venham os prosadores e os poetas, os artistas plásticos e os inspirados da música, que consigam firmar para a eternidade a gesta maravilhosa que ondeava por cima da multidão, uma afirmação viril de heróica inconformidade.

Fora sempre assim, aliás, a história desse Povo que se batera nas barricadas de 1383 e nas barricadas de 1640, nas agruras das lutas liberais, vencendo os ditadores do tempo e que, em 5 de Outubro de 1910, implantaram a nossa República.

Mais uma vez ele aí estava, a pouco e pouco por todo o País, vindo para a rua, acamaradando com as forças armadas, na tarefa comum de nos fazer Gente. Foi esta emoção, a profunda emoção, abraços por todos os lados, beijos de mulheres simples, que transformaram essa manhã numa autêntica sinfonia, guiada pelo mestre invisível que era a consciência nacional, de cravo vermelho na mão, celebrando a Liberdade.

Depois de evocar Vasco da Gama Fernandes, (Presidente da Assembleia da República em 1978), importa relembrar que o poder autárquico democrático é filho do 25 de Abril de 1974. E é ao exercício do Poder autárquico livre e responsável que devemos muito do País que hoje somos, do patamar de desenvolvimento que construímos, passo a passo, resistindo à voracidade dos dias!

A qualidade de vida dos Munícipes de Ovar hoje é melhor. O nosso território vareiro está mais moderno, desenvolvido e atrativo. A afirmação da nossa identidade conjugando as nossas mais puras tradições com Mar, Pinhal, Barrinha, Ria e Carnaval é hoje uma realidade.

Temos no Município de Ovar: Saúde, Habitação, Educação, Apoio Social disponível para todos. Temos hoje uma Democracia madura, participativa, responsável e construtiva. Ao longo destes 44 anos de democracia, nem tudo foi perfeito ao nível do poder autárquico no Município de Ovar. Muito falta ainda fazer. Muitos são ainda os problemas que importa resolver. Os desafios são imensos. Mas temos evoluído. Temos melhorado. O desenvolvimento está à vista de todos. Só não reconhece quem não quer ter memória. Assim, é de elementar justiça homenagear hoje todos aqueles que estiveram à frente do poder executivo vareiro, tendo sido escolhidos democraticamente, sem desprimor por quem esteve à frente da CM de Ovar anteriormente. Deram o seu melhor. Respeitaram a Honra de servir a causa pública. Conseguiram façanhas para os seus concidadãos. Foram Grandes.

Uma comunidade que não reconhece os seus melhores também não os merece. Por isso, quero evocar, hoje e aqui, de forma efusiva e agradecer, em nome do Povo Vareiro, a: Fernando Raimundo Rodrigues, Manuel Fernandes da Silva, José Augusto Pinheiro Guedes da Costa, Armando França Rodrigues Alves e a Manuel Alves de Oliveira.

No passado dia 1 de Outubro o Povo saiu à rua. Refletiu. Analisou. Ponderou. E dirigiu-se aos locais de voto. Decidiu de forma inequívoca. Da forma mais esclarecedora da história da democracia. Escolheu, uma vez mais, os seus representantes. Com esse ato eleitoral renovamos e respeitamos, mais uma vez, a Liberdade que Abril nos devolveu. Agora cabe-nos a nós fazer Abril a cada dia, em cada ato de gestão, em cada medida, em cada decisão, em cada intervenção.

Neste contexto, encaramos o plano de ação para o mandato 2017-2021 como uma escritura com o Povo Vareiro. Temos vocação, motivação, determinação e tudo faremos para honrar, escrupulosamente, cada compromisso, na certeza de que o Povo vareiro reconhece que entramos num novo ciclo.

Um ciclo onde boa parte das infraestruturas básicas estão concluídas ou em vias de conclusão e onde as prioridades se orientam para os grandes projetos estruturantes (materiais e imateriais) que permitam a consolidação da afirmação do Município à escala regional, nacional e internacional. Para tal, temos que ser verdadeiros agentes de desenvolvimento económico e social, sem esmorecer, sem perder o foco ou dispersar energia!

Temos que continuar a assentar a nossa conduta no trabalho e na credibilidade. Credibilidade essa que só é possível se for alicerçada em atributos como a seriedade, a coragem e a competência. Somos uma geração que tem dado provas inequívocas da sua capacidade, que não se encolhe perante os desafios do futuro, que resiste e que acredita que vale a pena!

Assim, temas como o combate à erosão costeira, atração de novos investimentos, reabilitação urbana, descentralização da cultura, afirmação da identidade vareira, proteção e valorização das nossas riquezas naturais, saúde, educação e juventude, entre outros, serão incontornáveis da nossa gestão autárquica. Se assim fizermos estamos a respeitar o poder do Povo Vareiro e a respeitar Abril.

Mas respeitar Abril é também ter a humildade de reconhecer falhas. Erros. Metas não alcançadas. E sobretudo respeitar quem nos dirige reparo ou crítica de forma séria e leal. O facto de sermos objeto de uma avaliação e escrutínio contínuos, (seja a partir da relação de proximidade com os eleitores, seja a partir das mais diversas plataformas atuais de comunicação existentes) é, para nós, uma mais-valia.

Obrigam-nos a elevados níveis de exigência, à busca da excelência e espicaçam-nos o inconformismo. Desta forma, acreditamos, que iremos fazer melhor aquilo que tem que ser feito em tempo útil. Uma Democracia madura e desenvolvida também se revela pela qualidade do contraditório. Pelo nível de participação das suas oposições.

Honrando o nosso passado e o percurso de vida democrática que fomos consolidando, temos o privilégio de ter, no Município de Ovar, eleitos locais que representam todos os partidos do espectro político nacional nos nossos órgãos executivos e deliberativos. Encaramos esta diversidade como fundamental para o Desenvolvimento do Concelho, como uma união de pessoas diferentes, com pensamento e ideologias políticas distintas, mas que sabem colocar o interesse comum, a nossa Terra e as nossas Gentes na primeira linha de prioridades.

Respeitamos as minorias e os seus representantes. Sabemos que desta forma estamos a valorizar o trabalho de todos, inclusivamente o nosso. Quem ganha é a Terra. Queremos contraditório saudável. Queremos reflexão e discussão. Queremos medidas alternativas. Queremos uma oposição conhecedora, atenta, presente e construtiva. Com argumentários credíveis.

É assim que tem acontecido no Município de Ovar ao longo dos tempos.  Uma oposição fiável. Que não se rege pelo soundbyte da comunicação social. Que não trabalha para a manchete do jornal online. Que respeita a vida pessoal de cada um. Que não vai a reboque de especulações ou onzenices. E é assim que irá continuar a ser, tenho a certeza!

Do nosso lado, sabem com o que podem contar! Somos os mesmos! A nossa atitude de Humildade, de proximidade com todos e de inconformismo perante os obstáculos e as dificuldades do dia-a-dia, são o nosso ADN! O nosso foco são as nossas gentes!

Não embarcamos em ilusões ou deslumbramentos de momento, não acreditamos em facilitismos, não nos rendemos ao comodismo imediato, não toleramos arrogância ou incompetência mal disfarçada!

Queremos honrar a confiança e a coragem do nosso Povo! Vamos continuar a trabalhar com o mesmo rigor e intensidade que nos trouxeram até aqui!

Respeitemos o Poder do Povo Vareiro!

Viva o 25 de Abril.

Viva a Liberdade.

Viva o Município de Ovar.

 

O Presidente da Câmara, Salvador Malheiro

Ovar, 25 de Abril de 2018

Artigos relacionados

Deixe uma resposta