Segunda-feira , 21 Agosto 2017
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O Problema dos 3 grandes: Passe, Receção, Movimento – João Gomes

O Problema dos 3 grandes: Passe, Receção, Movimento – João Gomes

Na última jornada da primeira Liga foram observáveis as exibições menos conseguidas dos 3 grandes (Não obstante a vitória do Sporting). Uma época é um desafio de resistência e, mais do que jogar bvem, é necessário que exista regularidade aliada a uma boa gestão (mental, física e tática) do plantel. O que, nos últimos tempos não tem acontecido aos que andam lá por cima na tabela classificativa.

Inicio esta análise pelo encontro em Paços de Ferreira, onde os comandados de Vitória, apesar do domínio do encontro, não foram capazes de ultrapassar a barreira defensiva pacence de uma forma ábil. Parece-me evidente o desgaste acumulado no ideal tático (e também físico) dos encarnados, onde é notória a incapacidade de criar espaços e embaraço na defensiva oponente. Há vários jogadores em subrendimento no último mês e a própria equipa não consegue engrenar as movimentações certas, algo tão característico do Benfica em determinada fase da temporada, algo que, de certa forma, coloca em causa as qualidades de gestão do técnico Rui Vitória.

No Dragão, as circunstâncias foram outras. A equipa de Espírito Santo conseguiu alcançar a vantagem no marcador mas sentiu a pressão em demasia da conquista dos 3 pontos. A impaciência e o bloqueio mental dos jogadores do Porto, após o empate, foram claros, as ideias escassas e as hesitações constantes. Há algumas opções que não se compreende na perfeição, como a saída de Corona, o jogador mais desequilibrador dos azuis-e-brancos. É provável que o facto de utilizar vários jogadores jovens pode também influenciar nestes momentos, mas não é desculpa para tudo!
Já em Alvalade, a turma de Jesus cumpriu mas voltou a não encantar. Os golos surgem, ambos, na sequência de bolas paradas (cantos), pelo abono leonino, Dost. De resto, o futebol verde-e-branco já não é de deslumbrar, como na época transata, onde as “peças” se moviam de forma harmoniosa no ataque, demonstrando agora uma estrutura muito mais estática, incapaz de oferecer aquele dinamismo tão demarcado de Jesus.

Claro que uma análise feita por fora é sempre mais simples. Contudo, existe uma combinação que não tem resultado no futebol praticado pelos 3 grandes símbolos nacionais: Passe, Receção, Movimento. Apesar dos dois primeiros pilares continuarem a alto nível, face à qualidade dos atletas, o terceiro aspeto – Movimento (que responsabiliza mais o treinador) – tem vindo a perder preponderância. Os dinamismos, as sobreposições, as combinações, as desmarcações, a empatia, entre outros aspetos, são, neste momento, ações que não estão a ser aplicadas convenientemente. A pressão e o cansaço, obviamente, são também causadores de feridas nos modelos de jogo. No entanto, são plantéis de várias dezenas de milhões, e com condições de trabalho fantásticas, que devem apresentar um elevado rendimento durante um maior período de tempo.

João Gomes

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