Opinião

Para inverno, temos tempo – Henrique Gomes

O verão, com direito a férias, partiu rumo a outras paragens. Para preencher o vazio, enchem-se as ruas com sinais de inverno. Na Praça semivazia vazam águas tombadas em painéis azulejados ou na gris calçada.
Aguas alimentadoras de desertificação local- em passo estugado e em curta diagonal, alguns atravessam a Praça rumo a outras paragens. Restam os habitués e entre eles destaca-se o difusor de novidades e de sorte avulsa que tenta encontrar clientes ou parceiros de conversa nos locais mais abrigados da Praça. Sem sucesso na sua tentativa, parte rumo ao Neptuno, rei nas águas.

Para inverno, temos tempo – o verão ainda não deverá estar esgotado e a sua companhia é necessária para os tempos imediatos, até por que existe um rol de atividades programadas para o exterior e que dependem da presença de sol ou da ausência de chuva.

No momento, temos uma ténue e precoce versão inverno com a correspondente exibição dos seus sinais: tonalidades escuras de densas roupas que contrastam, em alguns casos, com berrantes guarda-chuvas terminados em finas pontas apontadas ao céu e o passo apressado vieram substituir o aligeirado, despojado e descontraído ritmo e trajar característico do verão.

Um inverno precipitado que se espera ver no seu devido tempo, mas que por agora nos retém, nos esfria os ímpetos- um retentor sinal vermelho exibido a que sucederá uma renovada e libertadora tonalidade.

Henrique Gomes

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