Sexta-feira , 24 Novembro 2017
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PS: Despoluição da Barrinha está longe de ser uma realidade

PS: Despoluição da Barrinha está longe de ser uma realidade

“Apesar de vários alertas veiculados pela fiscalização no sentido de serem tomadas medidas concretas e urgentes para cumprimento dos prazos da obra de requalificação da obra, por parte do empreiteiro, sob pena de serem accionados os meios legais previstos, o certo é tal não sucedeu, pois o dia 12 de Junho, data limite, já consta do passado”, alertou o socialista José Fragateiro, na última Assembleia Municipal de Ovar.

O evoluir das operações de dragagem foi-lhe fornecido por um especialista:

“Segundo o Plano de Trabalhos da ABB, as tarefas de dragagem, eram tarefas críticas que decorreriam durante praticamente o prazo integral da obra, 267 dias.
Seriam mobilizadas 02 dragas tipo “WaterMaster 8”, que operariam em simultâneo durante todo o prazo da obra com rendimentos dragados de sólidos (1ª Draga-703 m3/dia e a 2ª draga- 819 m3/dia).
Tal não ocorreu, pois a entrada dos primeiros meios de dragagem dá-se apenas em Janeiro de 2017.
A partir do dia 15 do presente mês não foi possível executar mais dragagem, o que era conhecido previamente na Fase do Projecto, pois “ a calendarização das acções de dragagem e deposição dos dragados e areias não pode interferir com o período da época balnear-15 de Junho a 15 de Setembro”, sendo os meios de dragagem desmobilizados antes desta data.

Assim verificou-se:
– Enorme atraso na entrada dos meios de dragagem;
– A 1ª draga entrou em Janeiro de 2017, quando deveria ter entrado em Setembro de 2016;
-A 2ª Draga entrou em Maio de 2017, quando deveria ter entrado em Setembro de 2016;
-Os meios de dragagem praticamente nunca operaram simultaneamente, não sendo os indicados para o trabalho em causa, mas sim equipamentos de características inferiores e de rendimento mais baixo do que os apresentados na proposta;
– Encontra-se por realizar praticamente todo o volume de dragagem, dos 394 500 m3 de dragados previstos no Caderno de Encargos;
– Não há qualquer depósito de areias dragadas a norte do esporão norte, nem a sul do esporão sul, de acordo com o previsto, tendo sido apenas realizada muito pouca quantidade de dragagem com repulsão no topo do esporão sul;
– No Caderno de Encargos está prevista a verba de 997 950,79 € apenas para a recuperação do sistema aquático;

Sei que, tal como eu, o Sr. Presidente da Câmara de Ovar não é perito nesta matéria e também sei que não foi a Câmara Municipal de Ovar que assinou o acordo de consignação da Empreitada de Requalificação e Valorização do “Sítio” da Barrinha de Esmoriz com o Empreiteiro ABB/António Barbosa Borges, SA, mas sim a Empresa Polis Litoral Ria de Aveiro-Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria de Aveiro, SA, mas não posso deixar de ficar perplexo quando O Sr. Presidente afirma, após visitas ao local, que o prazo da obra iria ser cumprido e que o LIGEIRO atraso na dragagem podia ser recuperado, tendo mesmo escrito no passado dia 23 deste mês, no seu “facebook” que “ A nossa Barrinha está Fantástica”!

A Zona envolvente penso que sim, mas o essencial, o fulcro de toda a problemática, a sua despoluição, a tão necessária dragagem e recuperação do sistema aquático está muito longe disso de acordo com as informações que me foram fornecidas e que descrevi.

Utilizando um paralelismo esta intervenção faz-me “lembrar” um possível nosso amigo que regressa de férias todo bronzeado, aparentemente “respirando” saúde, mas como não temos uma visão clínica, não nos apercebemos que por “debaixo” de todo excelente aspecto está uma pessoa gravemente doente.

Espero que à Barrinha não suceda o mesmo que aconteceu às obras de requalificação do Cais do Carregal, do Cais da Ribeira, do Cais da Pedra, da Azurreira e do Areinho, da responsabilidade da Polis Litoral Ria de Aveiro pois foram praticamente votadas ao abandono, não se podendo daqueles lugares aceder-se à Ria, nem da Ria aceder-se a terra, faltando o que vem aí e que é o essencial, a Dragagem da Ria!”

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