Quarta-feira , 13 Dezembro 2017
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PS: Pinto Ribeiro sai desencantado com a política

PS: Pinto Ribeiro sai desencantado com a política

O deputado Pinto Ribeiro, deputado eleito pelo PS na Assembleia Municipal de Ovar, dirigiu-se pela última vez ao órgão, para transmitir o seu desalento. “Quando em Junho de 2013, fui convidado para integrar a lista do PS que se submetia a sufrágio à Assembleia Municipal, aceitou o convite” convencido de poder contribuir para “a componente da participação política na sua dimensão mais verdadeira e mais próxima dos cidadãos”.

“Decorria o mês de Junho de 2013, exercia eu no Hospital de Ovar um contrato a termo como cirugião aposentado”, recordou ainda na reunião do passado dia 15, quando a administração do hospital, agora substituída, o chamou para uma reunião, para lhe solicitar o prolongamento o seu contrato, “já que contavam comigo para continuar a apresentar boa produtividade e qualidade dos Serviços Cirúrgicos e para continuar a desempenhar as múltiplas funções e cargos que os outros colegas não queriam ter porque davam trabalho e exigiam que se cumprisse o horário”.

Aceitou ao convite, dando-se inicio ao respectivo processo administrativo.

Sucede que, dois dias depois dessa reunião, foi tornado público que era candidato à Assembleia Municipal pelo PS e “isso foi o suficiente para que a administração do Hospital, 24 horas depois desse anúncio, me convocasse para outra reunião, onde me foi dito que eu já não era necessário”. “Estava descoberto o caminho certeiro para o saneamento…”

Era evidente que “a política começava a mostrar-me a sua verdadeira dimensão e a sua brutal violência…” “Sabem como acabou o meu processo no Hospital? Reclamei, judicialmente, da decisão, demonstrei o seu evidente carácter de perseguição política e a ferocidade da inqualificável decisão e a administração, com o dinheiro dos impostos de todos vós, indemnizou-me em largos milhares de euros…”

Na sua última Assembleia Municipal, deixou a pergunta nada ingénua e muito justificável: “estamos todos de mãos limpas neste processo?”, apontando que quem, no Hospital, lhe transmitiu o castigo do despedimento por integrar uma lista candidata a um sufrágio eleitoral, “faz parte, agora e com a maior naturalidade, de uma lista candidata de um partido”.

Pior: Numa qualquer Comissão de Saúde, “onde se tratam ou deviam tratar as questões da Saúde, em termos organizativos, em termos de acessibilidade, em termos de qualidade dos serviços disponibilizados, em termos de carências e qualificações de recursos humanos e de infrastruturas, etc, foram propostos dois membros para essa representação: um médico e um engenheiro”.

Pinto Ribeiro conta que a “votação repetiu-se por três vezes e porque nas duas primeiras houve um empate, na terceira um voto de qualidade fez com que o médico fosse preterido por um ainda que muito respeitável senhor Engenheiro”.

Na altura, achou a decisão “desajustada e impossível de justificar, fazendo-se mais uma fotografia muito tremida e desfocada da política que fazemos”. “Mas hoje e a esta distancia no tempo, percebo que não era importante ser um médico a estar nessa Comissão, porque dela e até hoje, soubemos zero, nada, do seu desempenho e da sua actividade”.

“É a última vez que me dirijo a esta Assembleia. Não saio como entrei. A política fez-me sentir na pele a sua pouca disponibilidade para estar ao serviço do próximo”.

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