Saúde

Tempos de espera e desvalorização de sintomas podem pôr em causa a vida de doentes com cancro do pâncreas

21 de novembro | Dia Mundial do Cancro do Pâncreas

“O tempo prolongado de espera para realizar um exame complementar poderá retirar meses de vida aos doente com cancro do pâncreas e é urgente que Portugal possa ter diagnósticos mais atempados”, alerta Vítor Neves, presidente da Europacolon Portugal, associação de apoio a doentes com cancro digestivo, que assinala o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, 21 de novembro, com a campanha de sensibilização internacional #ExigirMais pelo cancro do pâncreas.

“Quando os doentes são diagnosticados precocemente, e a tempo de uma cirurgia, há uma maior propensão a que sobrevivam 5 ou mais anos após o diagnóstico. Devemos olhar para outros países, onde o diagnóstico do cancro do pâncreas demora cerca de 3 semanas, o que diminui a evolução do cancro, aumentando o tempo de vida do doente”, explica Vítor Neves.

O presidente da Europacolon sublinha ainda que “em 2019 o cancro do pâncreas continua a ter taxas de sobrevivência muito baixas e a taxa de mortalidade continua a aumentar. É urgente mudar este cenário, especialmente numa altura em que o financiamento para a investigação nesta área se mantém inalterado face aos últimos 40 anos”.

A campanha  #ExigirMais pelo cancro do pâncreas tem como principal objectivo alertar para a necessidade de se estar mais atento aos sintomas desta doença, que continua a ser o cancro com maior índice de mortalidade, e dotar os profissionais de saúde, em particular a Medicina Geral e Familiar, de sensibilidade para a identificação e valorização dos sintomas, permitindo um diagnóstico precoce.

 “Os sintomas do cancro do pâncreas são muitas vezes confundidos com sintomas de outras patologias, menos graves, o que na maior parte das vezes dificulta um diagnóstico atempado  da doença. É muito importante que os profissionais de saúde de Medicina Geral e Familiar, em contacto directo como doente, valorizem os sintomas e identifiquem doentes de risco. Só desta forma conseguiremos aumentar o diagnóstico e dar mais tempo de vida a estes doentes”, conclui o responsável.

A campanha de sensibilização tem como elemento central um vídeo partilhado nas redes sociais e que alerta para os sintomas desta doença oncológica, que não devem ser ignorados:

  • Dor abdominal;
  • Dor nas costas ou lombar;
  • Perda de peso inexplicável;
  • Pele e olhos amarelados;
  • Aparecimento de diabetes de início recente sem aumento de peso;
  • Náuseas;
  • Alteração de hábitos intestinais;

Todos os dias, mais de 1.257 pessoas em todo o mundo são diagnosticadas com cancro do pâncreas e cerca de 1.184 morrerão desta doença. O cancro do pâncreas tem a menor taxa de sobrevivência entre todos os principais tipos de cancro e é o único com uma  taxa de sobrevivência de apenas 2 a 9% aos 5 anos.

Para além desta campanha de sensibilização, a Europacolon está a tentar desenvolver um estudo pioneiro junto dos médicos de Medicina Geral e Familiar com o objectivo de melhorar a prevenção e diagnóstico do cancro do pâncreas.

Sobre a Europacolon

A Europacolon Portugal – Apoio ao Doente com Cancro Digestivo é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que faz parte da organização Pan-Europeia Europacolon. Foi criada em 2006, no Porto, com a função primordial de contribuir para a diminuição do número de mortes do Cancro do Intestino e dar apoio aos pacientes e familiares, melhorando a sua qualidade de vida. É também membro fundador da World Pancreatic Cancer Coalition. Os doentes, familiares ou população em geral podem contactar a Europacolon através da Linha de Apoio telefónica permanente – 808 200 199 ou aceder a mais informação através de http://www.europacolon.pt/

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