Opinião

Ter animais de estimação na China? Super conveniente até nas férias! (Parte I)

Hoje o meu relato nem tem a ver com a minha experiência na capital chinesa, ou melhor, tem, mas como dono de um animal de estimação. Muitos de nós crescemos com eles, a brincar, a correr, a abraçá-los, a dar-lhes festas, vemo-los desde pequenos, bebés, a crescer, acompanhamo-los nos bons e maus momentos… Conquistam o nosso coração, tornam-se parte da nossa vida, das nossas memórias.

Tradicionalmente, os nossos animais de estimação são cães ou gatos, outras vezes peixes, tartarugas, pássaros e até coelhos. Eu não sou diferente das pessoas que inserem um animal de estimação na família, cresci com cães e gatos, cágados, peixes, pássaros. Os meus pais sempre inseriram os animais em contexto familiar e assim, desde pequeno, fui habituado.

Quando vim para cá viver há quatro anos, nunca me teria ocorrido ter um animal de estimação. As viagens em trabalho, distâncias na grande capital, férias a Portugal, não ficar cá para sempre… Tudo isso me fez afastar a possibilidade de arranjar um amigo de quatro patas.

Estaria longe de imaginar que o meu animal de estimação cá viria a ser uma coelha… Nunca pensei ter um coelho e menos agora. Mas esse dia estranho chegaria.

Chegaria primeiro quando tive a ideia de oferecer um coelho de estimação a uma namorada. Primeiro pensei, pedi conselhos a uma colega espanhola e na verdade foi ela que escolheu a minha princesa coelha. Comprei-a online, desconsiderando o risco de vir a viajar desde Xangai para Pequim, e do mal que lhe podia acontecer e menos que chegaria ao destino numa caixa de bananas de cartão a dizer “El Ecuador”.

Mas ela veio, não entrou de imediato na minha vida, entrou na vida da minha namorada chinesa de então.

Comprei-lhe a coelha online e enviei para a empresa dela, para ser uma surpresa. Quando chegou ela ficou surpresa, mas até a levar para casa ficou na empresa uma noite e no dia seguinte trouxe para minha casa porque tinha que falar com os avós com quem vivia para saber se aceitavam, o que não chegou a acontecer.

No primeiro dia, confesso que não lhe passei grande cartão, pensei que fosse um animal mais bonito que inteligente e não esperto como um cão ou gato, além de que estava ainda assustada por ser uma coelha bebé e escondia-se nos cantos. Esse seria o primeiro dia, o primeiro dia em que entrou na minha casa e na minha vida e não imaginei que me apegasse tanto a ela.

Aquela bola de pelo castanha com nome de manteiga “Butter”, nome que a minha namorada lhe tinha dado, entrou na minha vida e apaixonei-me por ela. Descobri que são animais muito espertos, que reconhecem os donos, podem ser treinados para usar a caixa como os gatos, brincalhona, meiga, atenciosa e energética.

Tudo isso acompanhado da muita companhia que me faz nesta imensa selva de betão a viver sozinho e por minha conta e descobri algo mais que cuidar e tratar além de mim próprio.

Enquanto tive a minha namorada estava descansado quando viajava ou voltava de férias a Portugal, mas após ter terminado tinha sempre o coração nas mãos, até recentemente. Tinha que depender sempre da amizade e boa fé duma amiga para que me ficasse com o bicho quando ia a Portugal, o que é uma grande responsabilidade que estou a depositar nas costas de alguém. Apesar do que se possa pensar, ter um coelho como animal de estimação requer bastantes mais cuidados do que com um cão e gato, requerer uma dieta exigente à base de erva, diferentes vegetais e a título secundário ração.

Exige que se protejam os fios de electridade com um plástico envolvente – já perdi conta aos cabos de telemóvel e fios de auscultador que devorou em segundos -, requerer climatização no Verão porque são muito sensíveis ao calor, requerer não deixar nada de perigoso à mão de semear que ela possa roer e causar-lhe dano, requer não fazer barulho ensurdecedores que lhe possam dar um ataque cardíaco, requer atenção, requer muita coisa e por isso também não me sentia cem por cento seguro quando me ausentava de Pequim. (continua)

Rosendo Costa em Pequim

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