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VI Feira da Saúde: Por uma comunidade em forma

A Associação de Pais e a Equipa de Promoção e Educação para a Saúde (PES), da Escola Secundária Dr. José Macedo Fragateiro, de Ovar, levaram a efeito mais uma Feira da Saúde, certame que vai já na 6ª edição e que mobiliza toda a comunidade educativa do Agrupamento de Escolas de Ovar (AEOvar).

Da mostra de produtos biológicos, aos despistes e rastreios (cardiovascular, auditivo, visual, oral e postural) a palestras de diversas temáticas, a atividades físicas, acupuntura bioenergética e acupuntura craniana de Yamamoto, sessões de reiki, cocktails sem álcool, noções de nutrição e bem-estar, massagens de relaxamento e terapêuticas, a iniciativa tem vindo a ser desenvolvida no intuito de disponibilizar informação/formação sobre a prevenção de doenças e promoção de hábitos saudáveis.

Este dia foi preenchido com atividades de pleno interesse para a comunidade escolar e educativa, e nela marcaram presença diversas entidades ligadas à área da Saúde, particularmente do concelho de Ovar.
A delegação da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) mediu a tensão arterial e procedeu a testes de despistagem do colesterol, do Índice de Massa Corporal (IMC), tendo auxiliado os alunos a avaliação os resultados obtidos.

Os Bombeiros Voluntários de Ovar (BVO) deram a conhecer as etapas do protocolo de socorrismo de sinistrados e prestaram esclarecimentos sobre primeiros socorros, com especial destaque para as manobras reanimatórias preponderantes do Suporte Básico de Vida (SBV).

A representação do Hospital de Ovar (HFZ) teve a visita do respectivo Presidente do Conselho Diretivo, Dr. Luís Miguel Ferreira, que assistiu aos esclarecimentos sobre as temáticas da nutrição e dietética, etiqueta respiratória e cuidados a ter nas deslocações às Unidades de Saúde. Neste domínio, assumiram-se de enorme importância as demonstrações de acesso à plataforma eletrónica do HFZ, no contexto do programa “Serviço Nacional de Saúde (SNS) sem Papel 2020”. As profissionais treinaram os elementos da comunidade escolar a preencher os dados individuais e a aceder aos recursos existentes, que fazem do HFZ o primeiro hospital público integrado no SNS totalmente desmaterializado em registos e processos.

Por seu lado, a Associação de Diabéticos de Ovar (ADCO) procedeu à recolha de amostras sanguíneas, para avaliação dos níveis de colesterol, para além de promover um Workshop sobre “Hipoglicemia” para alunos, docentes, não docentes e profissionais auxiliares, com esclarecimento de dúvidas aberto a toda a comunidade escolar.

O certame contou com a participação empenhada dos alunos dos três anos do Curso Profissional de Técnico Auxiliar de Saúde (TAS), que tiveram oportunidade de divulgar o programa de estudos e fazer uma demonstração de procedimentos de controlo de infeção respiratória. Também acolheram todos os convidados e promoveram a sensibilização para hábitos alimentares saudáveis, com a oferta de sumos naturais e a realização do Jogo da Fruta.

Nos intervalos, foi a vez de mostrarem competência na área do movimento e expressão corporal, com uma “flash mob” muito ritmada, que atraiu alunos, docentes e assistentes operacionais.

O envolvimento da comunidade foi realçado pela Diretora do AEOvar, Engª Maria Cecília Oliveira, que reconheceu publicamente esta edição como a melhor de sempre, “não só pela quantidade/qualidade das turmas envolvidas, mas muito particularmente pelo envolvimento dos nossos alunos, quer como visitantes, quer como intervenientes ativos”, com especial evidência os alunos do Curso de TAS, “pela alegria e dinamismo que transmitiram”.

Deu os parabéns à organização e estendeu as felicitações aos professores que se envolveram ativamente, atestando que “é com atividades destas que nos afirmamos enquanto comunidade empenhada num futuro mais sorridente”.

A RELEVÂNCIA DOS RASTREIOS E FORMAÇÃO

RASTREIO VISUAL
Os atendimentos feitos pelo Dr. Cirilo Pinho, optometrista e contactologista na Multiópticas, permitem concluir que os problemas visuais dos alunos são essencialmente de metropia, ou seja, derivam de erros refrativos, como a hipermetropia, a miopia e o astigmatismo, imperfeições mais frequentes na população em idade escolar.
Sobre a eventual relação causa-efeito do uso excessivo de recursos tecnológicos na acuidade visual dos alunos, o especialista confirmou a essa possibilidade, tendo lembrado os rastreios de anos anteriores, em que verificou a propensão atual dos jovens para erros refrativos da visão, que podem ser irreversíveis, pelo facto de estarem muito expostos a ecrãs de dimensão muito reduzida. Estar demoradamente ocupado com dispositivos eletrónicos visuais agrava o esforço visual nas tarefas «de perto», causando dificuldades na visão «de longe».
Nas explicações fornecidas aos alunos consultados, Cirilo Pinho insistiu na importância de cada um perceber os primeiros sinais de alerta, como estratégia de indispensável repouso do cansaço visual. Isto para evitar que a visão fique progressivamente apenas estruturada para tarefas de enorme proximidade.

RASTREIO DE HIGIENE ORAL
Com presença assídua nesta iniciativa, a Dra. Cláudia Moura, odontologista e higienista oral na Clínica Fisiovar, constata uma maior procura da comunidade escolar pelo rastreio de higiene oral, com menor incidência de cáries e problemas associados. Questionada sobre a tendência de casos que requerem maiores cuidados de tratamento e prevenção, assinalou as melhorias significativas de ano para ano.
Em seu entender, a razão é essencialmente uma: apesar de existir sempre um caso ou outro a necessitar de maior atenção, os alunos têm mais consciência da importância da higiene oral na qualidade de vida, com hábitos alimentares e rotinas cada vez mais saudáveis. O número crescente de alunos atendidos no rastreio permite, para além da recolha e procedimento estatístico dos dados, confirmar os bons resultados das ações desenvolvidas no âmbito da promoção da saúde nos alunos (por intermédio do PES), bem assim da intervenção especializada dos técnicos de saúde e higiene oral.

EDUCAÇÃO SEXUAL
No âmbito da educação sexual, a formação orientada pela Dra. Sónia Azevedo Fernandes, Mestre em Sexologia com vasta experiência na área, cativou significativo número de alunos. Analisando a sua presença no certame, a especialista notou que “enquanto os mais novos questionam, sobretudo, a relação com os pares, fazendo julgamentos muito característicos da pré-adolescência, os alunos de idade mais avançada já recorrem a vocabulário técnico assertivo para expor as suas dúvidas e pontos de vista, pela razão de apresentarem uma visão estruturada nas emoções e consentimento”.
Considerando estes momentos excelentes oportunidades para apresentar o trabalho que se desenvolve na área da Educação na Sexualidade, na perspetiva da Sexologia Positiva, a formadora frisou que as explicações partilhadas com os alunos são muito enriquecedoras. É que “para além de fornecerem uma abordagem educacional “sexualmente positiva”, que apoia jovens no desenvolvimento dos valores pessoais, também são grandes contributos de consolidação da autoestima, de um estilo de comunicação confortável e de habilidades de decisão responsáveis”.

Hélder Ramos* – Texto e foto

*escreve com o novo acordo ortográfico

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