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O surpreendente bailado dos flamingos na Ria

Avistar flamingos na Ria seria, há anos atrás, um acontecimento surpreendente, já que o flamingo-comum (Phoenicopterus roseus), a espécie existente em Portugal, era raro e estava confinada a zonas como os estuários do Tejo e do Sado, à ria Formosa e ao sapal de Castro Marim, onde apareciam em números pouco expressivos.

A partir dos anos noventa, a situação começou a alterar-se em Portugal, com a presença de um maior número de flamingos nalgumas zonas húmidas portuguesas. Mas foi sem dúvida a partir dos anos 2000 que a grande expansão e presença habitual de flamingos na Ria começou a ocorrer.

O flamingo é umas das aves que mais fascínio causa a quem a observa. Em voo é inconfundível, iluminando o horizonte de rosa vivo, com uma envergadura de asas que pode ultrapassar um metro e sessenta. Possui um porte grande, com patas e pescoço compridos e um bico curto e grosso, com a ponta ligeiramente curvada para baixo e é uma ave pode ser reconhecida a grande distância.

Os adultos possuem uma tonalidade cor de rosa, enquanto os juvenis são acinzentados. A cor de rosa deve-se um pequeno crustáceo denominado de Artemia salina que lhe serve de alimento. Este crustáceo por sua vez alimenta-se da microalga Dunaliella, que contém betacarotenos e se encontra presente em áreas como estuários, salinas, etc.

Embora os flamingos possam ser avistados ao longo de todo o ano em Portugal, uma vez que alguns indivíduos (sobretudo imaturos) permanecem no nosso país, o seu número aumenta bastante durante os meses de Outono e Inverno com as migrações que ocorrem. Mas ainda são frequentes nesta altura do ano, enquanto não começa o bulício de turistas. Há, pois, na nossa região, um número crescente destas aves que chegam de outras paragens com uma plumagem bem mais cor-de-rosa do que os que já estavam em Portugal, devido à alimentação que fazem.

Sabe-se que muitos flamingos voam até outras paragens na altura da migração, mas nunca para muito longe. A Portugal, chegam habitualmente de outros locais da Bacia do Mediterrâneo: Espanha, Sul de França, Tunísia, Turquia…

E, hoje em dia, podem ser vistos ao longo do canal de Ovar da Ria (em maior número entre a Torreira e São Jacinto) e em outras áreas onde não era habitual.

Porquê na Ria de Aveiro?

Os fotógrafos de Ovar já os descobriram há algum tempo, mas João Nunes da Silva, fotógrafo de 52 anos, de Matosinhos, apaixonado por estas aves, tem investigação feita e publicada em revistas como a edição portuguesa da National Geographic.

A região oferece várias escolhas e opções aos migradores. “Quando a maré está baixa, as aves vão para a ria, para os bancos de areia, onde se alimentam. Quando a maré está cheia, as aves vão para as salinas porque os bancos de areia da ria desapareceram”, explica o fotógrafo de natureza. As salinas, com abundância de alimento, “têm um potencial muito grande para conservar aves limícolas, por exemplo, tanto como zonas de alimentação como de nidificação”.

Curiosidade: verá que há flamingos com um tom rosa das penas mais intenso e outros mais esbranquiçados. A intensidade do rosa indica as aves que chegaram mais recentemente a Portugal, vindas principalmente de Espanha ou de França. Tudo porque lá se alimentam mais do camarão que lhes confere a coloração rosa mais intensa. Os mais esbranquiçados são os flamingos juvenis, que passam todo o ano no nosso país.

O aumento nos últimos anos do número de flamingos na região do Mediterrânico pode estar relacionado com diversas medidas de conservação. Desde modo, com o aumento dos flamingos nas suas zonas de “origem”, torna-se natural que muitas aves procurem novos lugares para se refugiarem e alimentarem.

João Nunes da Silva

José Eduardo Elvas

João Elvas

 

 

João Elvas
António Ferreira
Manuel Ribeirinho

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