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A fotografia dos heróis que travaram a Monarquia

Há muito de interessante para saber sobre uma fotografia tirada há precisamente cem anos pelo ovarense Ricardo Ribeiro, junto ao Chafariz do Neptuno, no centro da cidade de Ovar, onde estão os cerca de 30 civis que ajudaram a impedir a entrada da Monarquia do Norte na vila.

Sérgio Veludo Coelho, que ontem liderou uma das visitas guiadas “No encalço dos Resistentes: A Monarquia do Norte em Ovar”, promovidas pelo pelouro da Cultura, aponta a circunstância curiosa de todos eles “estarem munidos de armas regulamentares do exército”.

“Arrisco a dizer que grande parte deles devia ser carbonária, pois era normal estes saberem mexer em armas, ou então tinham tido treino”.

“Se aqui estivesse um grupo de populares com caçadeiras, não seria estranho”, acrescentou, mas a foto contém um grupo de homens envergando armas Mauser-Vergueiro e “não é qualquer um que sabe mexer nelas”.

O historiador, professor-adjunto da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto e especialista em História Militar explica que “passar armas de guerra para as mãos de civis não é brincadeira e o sargento Abel Guedes de Pinho tinha que saber o que estava a fazer para defender a sua casa dos monárquicos”.

E sabia, pois é ele quem vai montar a resistência nas pontes (Ponte Nova, em Ovar, e em Cacia, Aveiro) no dia 12 de fevereiro de 1919.

Foi a bravura destes homens de Ovar “a travar o avanço da Monarquia do Norte, no tempo em que a República queria ganhar raízes no país, que valeu à vila a Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito que se vê no brasão”, lembrou António França, da Divisão de Cultura do Município.

(em actualização)

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