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“A Geometria do Amor”, um livro sobre a vida e sobre a morte

A Galeria do Centro de Arte de Ovar recebeu o autor Luis Quintino, para a apresentação da 2.ª edição do livro “A Geometria do Amor”.

Luis Quintino, economista de formação, consultor financeiro de profissão, é o pai do Luís, o filho, que morreu cedo mas que afinal nunca morrerá; é o escritor debutante à procura da geometria sentimental para a reduzir a palavras negociadas entre o coração e a razão.

Resultando numa narrativa fluída, concisa, sem abusar, não a quer aliás, da adjectivação, da mesma forma recusa, que seria tentador, uma escrita lacrimosa.

“A Geometria do Amor” é um livro sobre a vida, sobre a morte, sobre, pois claro, o Amor de um pai pelo filho – como o próprio afirma: “procuro tornar o esquecimento incapaz” – consegui-lo-á? Fica a pergunta; certeza há uma: A Geometria do Amor promete manter a senda do sucesso da 1.ª edição.

Luís Quintino diz que “este livro pode ser muitas coisas, mas é essencialmente três: É um Caminho; É uma Revelação; É um Controlo da dor.”

Ao escrever este livro, e ao pensar nele depois de já o ter escrito, sente que se abriu um caminho. “Um caminho que me conduz directamente a um fim que ainda não sei verdadeiramente qual é. Já abordei este tema, esta inquietude, com a Adelaide, mãe do Luís, com a enfermeira Graça e com a Dr.ª Ilda Costa. Não tenho ainda conclusões”.

A primeira revelação é “o Luís e a postura que nos deixou no combate mais difícil: o da doença que coloca um ser consciente face à eminência de um fim.”

A segunda revelação é a busca de um sentido para o sofrimento. “O Luís encontrou-o na Arte e no Voluntariado deixando-nos a pensar. Mas também não foi só isso: espalhou essa semente por muita gente, mesmo até por aqueles que ainda não encontraram o seu caminho”.

Por fim, este livro é, segundo ele, “um fármaco que controla a dor. Que estranho – dirão alguns. Porquê? – questionarão outros. Apresento-lhes duas das conclusões a que cheguei”.

Em primeiro lugar, “porque não é fugindo da realidade, por mais adversa que seja, que podemos aspirar a reduzir a dor. A minha experiência diz-me que foi no confronto interior das memórias dos dias difíceis que consegui escrever este livro. E, desse modo, cicatrizar a ferida que trago em mim”.

Em segundo lugar, “porque a debilidade interior que daí resulta, e que é o estádio no qual me encontro, não é, nem poderia ser, nenhuma agonia insuportável. Pelo contrário, é ela que me conduz aos Outros”.

“Quando penso nisto dou por mim a acreditar que foi esta mesma debilidade interior que o Luís sentiu, que foi através dela que conseguiu dar sentido ao seu sofrimento, colocando até o seu pai a escrever sobre os seus dias na recordação daquelas e daqueles que enfrentaram a mesma prova”.

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