Opinião

A propósito da ida de Paulo Portas para a Mota Engil – Raul Almeida

Disse, há dias, ou semanas, que Paulo Portas é uma pessoa de defeitos inegáveis e de qualidades de excepção. Sempre lhe fui leal, mas sempre fiz questão de manter a minha liberdade e independência. Como ficou provado nas últimas eleições, sempre gostei muito de estar na política, mas nunca quis depender do seu exercício.

Quando chegou a hora, cá regressei à carreira profissional que sempre me permitiu fazer política com inteira liberdade. Foi uma condição a que sempre me obriguei: cargos políticos, só por eleição, ou por resultado directamente imputável a eleições.
Vem isto a propósito das notícias de hoje sobre a ida de Paulo Portas para a Mota Engil. Não sendo dos que devem o ar que respiram a Paulo Portas, antes pelo contrário, arrogo-me alguma isenção de análise.

Se discordei de muito do seu último consulado na gestão do CDS, se o achei no passado um Ministro da Defesa digno, mas àquem das capacidades que lhe conheço, não posso deixar de dizer que, no Governo de Coligação, Paulo Portas foi um Estadista do melhor que Portugal já conheceu, com irrevogável e tudo. Portas e Passos Coelho estiveram à altura de um dos momentos mais difíceis da nossa história recente, como muitíssimo poucos mostraram capacidade e carácter para enfrentar.

Portas fez um interregno na sua vida pública. Não é homem de ficar parado; nunca foi. Ganhou um capital de conhecimentos, simpatia e influência real na vida económica e nas relações internacionais, por mérito próprio. Não tutelou directa, ou indirectamente a área de negócio onde irá trabalhar. Não é, pela sua condição política, um “abre portas” no actual governo. Não consta que na sua acção governativa tenha privilegiado a Mota Engil em detrimento de outras construtoras. Não pode, portanto ser comparado a outros casos passados.

Se me perguntarem, preferia ver os talentos de Paulo Portas a render ao serviço país como um todo, mas obviamente o actual governo nunca o permitiria, nem o patrocinaria com o sentido de Estado que a direita tem demonstrado com Guterres.

Portanto, prefiro vê-lo a ajudar a criar riqueza em Portugal, do que num consórcio estrangeiro, ou a ajudar um outro Estado que não o nosso.
Não é o mais fácil ou popular de dizer, mas procupa-me mais quem irresponsavelmente afunda todos os dias o país que Portas ajudou a recuperar.

Raul Almeida

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