CulturaSlider

Avanca canta à desgarrada e celebra memória de Marques Sardinha

Avanca vive este sábado uma Noitada de Desafio e Desgarradas (21h) com a participação de Augusto Canário e Cândido Miranda de Viana do Castelo (Portugal), Geraldo Amâncio e Jorge Macedo do Ceará (Brasil), Lupe Blanco e Alba Maria da Galiza (Espanha) e Muhamed el Eich de Agmat (Marrocos).

É o FESTCORDEL – Festival Internacional do Verso Popular que tem por objetivo restaurar em Portugal uma das tradições culturais mais antigas e genuínas da língua portuguesa, juntando, numa exibição de arte da palavra, alguns dos maiores poetas e repentistas populares da atualidade, de Portugal, Espanha, Brasil e Marrocos.

Pretende-se sensibilizar as escolas, as universidades e o público em geral, para esta tradição perdida, da qual tivemos exímios executantes de norte a sul do país, alguns dos quais, como o Marques Sardinha, retratado desde 1929 na estação ferroviária de Avanca, viveram entre nós e encantaram o nosso povo que ainda recorda os seus nomes.

O verso popular é uma arte do povo, cultura genuína da nossa gente e de todos quantos partilham a língua portuguesa pelos continentes do planeta.

Os últimos grandes cantadores populares de Portugal, descendentes dos bardos e menestréis medievais, desapareceram na década de ’40 do século passado, entre muitos deles o António Aleixo de Loulé e o Marques Sardinha de Avanca.

Deixaram poucos discípulos, alguns emigraram e levaram a arte do verso popular para os países de acolhimento. Uns regressaram, outros não. Um discípulo do Sardinha, José Joaquim Monteiro, do Bunheiro – Murtosa, andou por terras do Brasil e viveu cinquenta anos em Macau. Deixou uma obra volumosa, publicada recentemente. O mesmo aconteceu com dois discípulos algarvios do Aleixo, Manuel Pardal e Clementino Baeta. Mas nas escolas e nas universidades portuguesas, o tema da Literatura de Cordel, atualmente em processo de reconhecimento pela UNESCO como património da humanidade, nem sequer consta de qualquer programa. Há que dar a volta a esta vergonha.

Desde meados do século XIX que a arte do verso popular conheceu no nordeste do Brasil, a partir do estado da Paraíba, um extraordinário desenvolvimento: primeiro com a edição local de folhetos com temas da tradição oral europeia e depois com temas próprios do nordeste, histórias de vaqueiros, de bois e boiadas, de secas e desgraças, guerras, cangaço, devoções religiosas, histórias da política e da polícia, dramas pessoais…
Quando em Portugal a arte desaparecia das ruas e dos arraiais, ela arrancava no Brasil para uma fantástica difusão, como entretenimento e educação de gerações de cidadãos. Os poetas populares brasileiros, cordelistas, repentistas e cantadores, merecem hoje o apreço dos letrados e eruditos e são acarinhados e aplaudidos por multidões nos arraiais populares. Vamos ouvi-los versejar e cantar, juntamente com que ficaram do lado de cá do oceano.

Este evento conta com o apoio dos Municípios da Murtosa, de Estarreja, de Albergaria-a-Velha e da Junta de Freguesia de Avanca e com a colaboração do Cine-Clube de Avanca.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta