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Bombeiros de Ovar apostam na experiência da Força Aérea (DA)

O Sargento Chefe da Força Aérea Portuguesa na reserva, Luis Medeiros, é o actual presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar (BVO). A ele coube a responsabilidade de escolher o substituto do (histórico) comandante, Carlos Borges, que integrou o corpo activo nos últimos 48 anos.
Militar ligado aos Bombeiros da Força Aérea Portuguesa (FAP), Luís Medeiros estabeleceu-se em Ovar, em 1996, tornando-se sócio dos BVO, sendo o grande responsável pelas excelentes relações da associação humanitária vareira e o Aeródromo de Manobra n.º 1 da Força Aérea, em Maceda, concelho de Ovar.
Colocado na “Base de Maceda”, só em Outubro de 2007 viria a assumir o cargo de chefe de secção, na prática, de comandante do respectivo corpo de bombeiros. “A partir daí, organizei várias iniciativas em conjunto, como foi o caso do simulacro conjunto dos Bombeiros de Ovar e de Maceda”, recorda, justificando que, “para além da boa relação institucional, achei que era bom treinar determinado tipo de procedimentos, caso fosse necessário”.
Já o tinham convidado antes para a direcção dos BVO, mas declinou por falta de tempo, mas quando passou à reserva repetiu-se o convite. “Voltaram a convidaram-me para encabeçar uma das listas candidatas à presidência da direcção e aceitei, pois já tinha disponibilidade”, recorda Luís Medeiros.
Ganha as eleições e toma posse em janeiro de 2016. “A realidade dos bombeiros não é novidade para mim, mas mesmo assim o primeiro ano foi de análise, o segundo de planeamento e agora, no terceiro ano de mandato, vamos concretizar obras que este quartel necessita”, anuncia Luís Medeiros.
O Sargento da Força Aérea é defensor de que “deve haver uma boa relação entre a direcção e o comando, um diálogo franco e aberto permanentes”. No caso do comandante do corpo activo, refere que este “é nomeado pela direcção e deve ser, em teoria, da confiança da direcção na área operacional”.

Novo comandante
A escolha do novo comandante dos Bombeiros Voluntários de Ovar deverá passar por outro militar da Força Aérea. “Não foi fácil substituir um comandate como o Carlos Borges, com tantos anos ao serviço da associação”, sublinha. Mas não houve opção: “Ele não poderia continuar por ter atingido o limite de idade”. Mas antes de avançar, “poderamos se o novo comandante deveria vir do corpo activo ou do exterior”.
Como não tínhamos segundo comandante, decidimos que para ficar com uma estrutura de comando no futuro, era preferível ir buscar um comandante fora, que fosse isento, com capacidade, com experiência de comando e rigor, a ajudar-nos nesta área que é um dos nossos objectivos”.
Mas há uma diferença fundamental que distingue os bombeiros voluntários dos bombeiros da FAP. “Nós, militares, temos bombeiros disponíveis 24 horas por dia, mas aqui somos voluntários, e isso é uma preocupação permanente”. “Temos que perceber que têm os seus empregos, a sua família, e por isso temos de defender essa relação para chegar a bom porto”.
O quartel de Ovar conta comum corpo activo com 22 assalariados, cinco dos quais pertencentes a uma equipa de intervenção permanente, paga pela Protecção Civil e Câmara Municipal de Ovar, enquanto que os restantes elementos são suportados pela associação.
Os BVO têm, neste momento, um corpo activo que ronda os 85 efectivos, e uma escola com 12 formandos que entram para o voluntariado, “pois temos de encontrar forma de cativar pessoas para esta missão”, lembra o presidente.
Em termos operacionais, Luís Medeiros garante que “estamos dotados com os meios necessários”. O parque de viaturas da área de saúde é a que tem menos… saúde.
“Temos uma frota razoável, o que não quer dizer que não tenhamos de nos preocupar com a renovação de algumas viaturas na área do transporte de doentes”, confirmamdo que “fruto também dos quilómetros que fazeme têm, os custos de manutenção começam a ser demasiado elevados”. Assim, anuncia que “teremos de fazer um estudo do custo/benefício para manter a frota operacional de acordo com as nossas necessidades, pois algumas ambulâncias têm muitos quilómetros”. Assim, anuncia querer começar a renovação de frota em 2018, por uma das ambulâncias.
De resto, “a nossa frota tem capacidade para dar resposta às necessidades e do melhor, em termos distritais”, assevera.

Obras no quartel
Para fazer melhoramentos, é preciso dinheiro e esse é um bem escasso. “Uma parte do nosso orçamento (60%) vêm da Câmara Municipal de Ovar e da Protecção Civil e o resto tem que ser a associação a angariar através dos serviços que presta, donativos, peditórios, transportes de doentes, etc”. Luís Medeiros refere que os bombeiros tentam obter apoios da comunidade e empresários, pois é “importante sensibilizar as pessoas que quanto melhor equipados estivermos melhor será a nossa capacidade de resposta”.
O quartel foi inaugurado na década de 1990 e precisa de uma intervenção urgente, nomeadamente na fachada, quer ao nível dos azulejos, passando pelas caleiras, eliminando as infiltrações de humidades. “Já deviam ter sido feitas este verão, mas vão avançar porque já decidimos em reunião de direcção”. O presidenmte revele que é uma obra tão necessária quanto dispendiosa, que “nos vai custar cerca de 60 mil euros”, avançando a partir da primeira quinzena de outubro. “Só depois iremos avançar com obras no interior do quartel”. De resto, “já fizemos algumas obras desde que chegamos, como foi o caso da restruturação da Central de Operações, que é fundamental numa casa como esta”.  A seguir, anuncia a restruturação do interior do quartel, de forma a fazer uma adaptação que torne a casa mais funcional em termos logísticos e administrativos.
A experiência está a corresponder ao que esperava, mas garante que “mau seria se estivéssemos satisfeitos, pois uma casa destas tem sempre coisas para fazer”. Ainda falta um ano e meio para concluir o primeiro mandato, reconheço que foi um ano e meio de avaliação, avançando-se agora para a concretização.
Neste momento, assevera, “ainda não perdi um segundo a pensar numa possível recandidatura. Estou imbuído do trabalho que preciso fazer neste ano e meio. A minha preocupação é resolver o que é preciso e só depois ponderarei com a minha família o que fazer”. Neste momento, “estou focado nas necessidades e nada mais”.

A mudança de paradigma
Há mudanças na vida dos BVO. Todos os voluntários, toda a estrutura e até a população sente-o, porque “Carlos Borges era uma pessoa carismática e muito querida”. “Ele esteve aqui 48 anos e de repente susbstitui-lo só mesmo com muito cuidado e ponderação, porque é preciso manter o corpo operacional com a qualidade que se lhe reconhece”. Luís Medeiros está consciente de que “há sempre uma expectativa e esperamos corresponder”.
O corpo activo já sabe que o próximo comandante será João Mesquita. Luís Medeiros adianta que o Capitão da FAP será “proposto para frequentar um curso de comando para depois tomar posse logo que esteja concluído todo o processo”. A direcção vai então nomeá-lo, cabendo ao novo comandante escolher os seus segundo comandante e adjuntos. Luís Medeiros espera ter o quadro de comando completo antes do final do mandato.
Com presidente da direcção e comandante do corpo activo da mesma origem, Luís Medeiros garante que, “normalmente, na Força Aérea, temos uma formação que privilegiamos a relação interpessoal, o contacto com as pessoas e essa parte humana é fundamental nos bombeiros”.
Esta direcção considera essencial o apoio da família. “Porque a ela cabe apoiá-los em casa, do ponto de vista emocional, fazendo com que se sintam em boas condições emocionais”, defende Luís Medeiros que considera “fundamental que os bombeiros se sintam acarinhados e que a família sinta que esta é uma casa que os apoia”.
“Não é fácil para os familiares ficarem casa a ver o seu pai ou marido ir para um teatro de operações, é muito dificil”. Esta é uma das preocupações da actual direcção que garanbte: “Sem o apoio incondicional das famílias não se consegue cumprir a nossa missão”.

Ler artigo in Diário de Aveiro.

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