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Empresas de Ovar contra cerco sanitário que não acautele actividade empresarial

Um grupo de empresários de Ovar manifestou-se hoje contra o eventual prolongamento do cerco sanitário vigente no concelho desde 18 de março, defendendo que, nos moldes actuais, isso ameaçará milhares de empregos e terá efeitos “demolidores” no território.

É essa a posição manifestada à Lusa por dirigentes que, nessa autarquia do distrito de Aveiro, representam unidades industriais como a Bosch Security Systems, a Kirchhoff Automotive Portugal e a Yazaki Saltano, opondo-se ao prolongamento da quarentena geográfica se essa mantiver a suspensão de toda a actividade económica local não afecta a bens de primeira-necessidade.

Em documento que diz representar “cerca de 800 pequenas, médias e grandes empresas” e “mais de 10.000 colaboradores”, esses gestores “apelam a que o cerco acautele a actividade empresarial, uma vez que, com milhares de postos de trabalho em risco, os efeitos da pandemia de covid-19 poderão ser demolidores”.

A mesma nota acrescenta que em causa está uma actividade que vem envolvendo “um volume de negócios estimado em 2,2 biliões de euros e maioritariamente destinado à exportação”, pelo que receiam o agravamento das consequências que a paragem já faz notar há algumas semanas.

“Já lidando com o facto de alguns dos seus clientes procurarem outros fornecedores, estas empresas – de sectores de actividade desde a madeira, o têxtil e o calçado até à metalomecânica, indústria automóvel, eléctrica e electrónica – preparam com ímpar responsabilidade o regresso dos seus trabalhadores em segurança”, realça o documento.

Isso significa que, caso o Governo autorize a reactivação da economia local, as empresas em causa estão aptas a adotar “medidas extraordinárias de protecção individual, higiene e limpeza, num hercúleo esforço de conjugação de saúde pública e direito ao trabalho”.

O mesmo grupo tem ainda preparados outros procedimentos para reforço dessa segurança, entre os quais “o arranque gradual da laboração, a redução do horário de trabalho, o recurso inicial a trabalhadores residentes apenas no concelho de Ovar e, sempre que possível, a utilização de mecanismos de trabalho à distância”.

Reconhecendo que esta “actual e extraordinária conjuntura” impõe “medidas excepcionais”, os gestores em questão comprometem-se assim a “manter e criar emprego, e a gerar riqueza tributável para manutenção do Estado Social”, na consciência de que só em actividade conseguirão impulsionar “as sinergias que sustentam as inúmeras famílias do concelho”.

Texto: Alexandra Couto / Lusa via PortoCanal)

 

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