Política

Fernando Almeida: “O executivo não pode viver só de simpatia”

O novo presidente da concelhia do CDS diz que há muito a fazer para tornar Ovar num símbolo de qualidade de vida e de desenvolvimento sustentável

O que o levou a candidatar-se à presidência da concelhia?
Encaro a política como serviço à comunidade, acredito nos ideais democratas cristãos, por isso entendi que na Concelhia posso estar ao serviço da comunidade e claramente ser identificado com os princípios que me guiam. Não sou, nem nunca fui treinador de bancada, se sinto que há coisas a fazer, áreas a melhorar, dou a cara e participo activamente.

Quais são os objectivos para concretizar neste mandato?
No plano interno do Partido, a consolidação da estrutura, angariação de novos militantes e comunicação eficaz das nossas ideias e projectos. No plano externo, pôr o CDS como voz activa e ouvida na sociedade Ovarense, propor soluções viáveis para o nosso futuro colectivo, contribuir com a nossa vertente marcadamente humanista para uma sociedade mais justa e equilibrada. É uma missão que nunca se completa, mas que vale o investimento todos os dias.

Como justifica os resultados alcançados nas últimas autárquicas em que, apesar de ter eleitos na UFO, falhou a eleição nos órgãos municipais?    

Houve uma fortíssima bipolarização entre PSD e PS, os partidos do bloco central, com o ingrediente extravagante de o presidente socialista cessante ter endossado politicamente o candidato social-democrata, tendo conduzido a um extremar de concorrência entre os dois partidos. Neste quadro, o CDS que não era herdeiro do poder por via oficial ou oficiosa, não conseguiu furar a lógica do chamado “voto útil”, que afinal só é útil para quem o recebe…

 Como analisa o trabalho do executivo camarário liderado pelo PSD de Salvador Malheiro?
Analiso, como qualquer cidadão deve fazer, com expectativa e exigência realista. Até ao momento, houve uma mudança de estilo positiva na governação: muito mais diálogo e acessibilidade, proximidade e simplicidade; em contraste com o anterior executivo. Discordo de tantos ajustes directos, por uma questão de transparência, acho inaceitável o recurso a um numero tão elevado de ajustes directos. Para além disso, tem havido, como referi no meu discurso de tomada de posse, atenção às sugestões e propostas que temos feito na defesa dos interesses de Ovar. Mas é necessário muito mais do que isto. O executivo não pode viver só de simpatia, boas relações públicas e correcto aproveitamento das ideias da oposição; é importante mas não chega. É necessário que dê a conhecer um plano politico de médio e longo prazo para o Concelho. Que tenha políticas sociais que acomodem as reais necessidades da população, que projecte economicamente Ovar no futuro. Que deixe de perder tempo na promoção turística e puxe pela nossa região num desenvolvimento integrado potenciador nesta área… tanto, tanto que há a fazer!

 Se fosse eleito presidente da Câmara, quais seriam as suas principais medidas?
Se fosse Presidente da Câmara, apostava em politicas sociais de apoio às famílias e aos mais carenciados, politicas económicas de criação de emprego, dava atenção às vias pedonais que em muitos casos não têm condições para a circulação das pessoas em segurança, criava condições para que as pessoas de mobilidade reduzida pudessem circular e desfrutar da nossa cidade, apostava muito no turismo: temos as capelas do Passos, as tradições quaresmais, a igreja de Cortegaça e de Válega que são reconhecidamente únicas como riqueza patrimonial, as lindíssimas fontes que continuam esquecidas,  temos o carnaval que pode e deve ser ainda mais potenciado, temos os moinhos em Válega que estão votados ao esquecimento, tal como acontece com esta freguesia há muitos anos, a ria que está num estado insustentável, o mar, o pão de ló, os museus, o património em azulejo e tantas outras mais valias que podem e devem ser aproveitadas para colocar Ovar como uma cidade apetecível para visitar e permanecer. Estas seriam as grandes apostas, dando menos importância às “festas” e a todo o “folclore” que fica bem para a imagem e dá votos, mas não é, de forma alguma, a grande prioridade. Queremos Ovar como símbolo de qualidade de vida e desenvolvimento sustentável.

   Que solução preconiza para o cine-teatro?
O cine-teatro não pode continuar como está, tem de ser encontrada uma solução. Nós propomos a sua aquisição para a criação de um centro cultural polivalente com sala de cinema/teatro/auditório, rentabilizável para conferencias e outros eventos, está no centro da cidade. Pode também ser criada uma área de oficinas e ateliers para a juventude e apoio às artes na Terra. Penso que todos estamos de acordo que não pode continuar como está, ao abandono, a colocar em risco a segurança das pessoas e a envergonhar-nos. É uma questão que deve ser prioritária e que exige uma rápida resolução.

  Qual é o universo de militantes no concelho?
Após a actualização dos ficheiros que nos permitiu ter uma noção da realidade, mas também nos fez “perder” muitos militantes que entretanto não actualizaram os seus dados, temos nesta altura perto de 100 militantes activos, mas a tendência e a nossa aposta é fazer crescer o número de militantes.

 Estará disponível para uma coligação com vista às próximas autárquicas ou prefere esperar pelos resultados?
Não está ainda na altura de analisar a questão. É tempo deste executivo trabalhar a sério, e é tempo da oposição ser exigente e propositiva. Não foi pelo CDS que não houve uma coligação mais abrangente e com os nossos valores humanistas e ideias para o Concelho. No futuro, saberemos em tempo devido interpretar a vontade do eleitorado, o interesse do Concelho, e obviamente a vontade do nosso parceiro natural para coligações ter vontade de partilhar ideias e decisões que ajudem Ovar a encontrar um futuro melhor. Para nós, vai sempre prevalecer o superior interesse de Ovar e de todos os munícipes.

 Praticamente em período pré-eleitoral como é que avalia a actuação do Governo?
É provavelmente o melhor Governo desde o 25 de Abril. Herdou uma profundíssima crise deixada pela irresponsabilidade governativa do Partido Socialista! O País estava a dias da bancarrota, o sistema à beira da falência e a troika cá instalada, chamada pelo PS. Recordo que é um Governo sem casos de corrupção, transparente e responsável. Recordo que acabaram os empregos para os amigos, o despesismo, a irresponsabilidade total na gestão dos dinheiros públicos que são de todos. Hoje, com a direcção do Governo, o esforço, o sacrifício e a capacidade dos Portugueses, somos um país credível e responsável! Em quatro anos somos um país novo e melhor, ainda não chegamos onde ambicionamos justamente estar, mas não podemos regressar de modo nenhum à desgraça colectiva a que o Partido Socialista nos condena!

O desemprego é um flagelo no país e no concelho. Em Ovar, qual será a solução?
A solução passa por uma atracção de investimento, por uma fiscalidade amiga das empresas e por um planeamento estruturado  em articulação com o IEFP para promover a formação e criar oportunidades para as pessoas que estão desempregadas. O flagelo do desemprego, é um problema que é de todos e que deve ser encarado com elevado sentido de responsabilidade, pela nossa parte, estamos disponíveis para colaborar com o executivo em exercício de forma construtiva para ajudar a combater o maior problema que atinge os nossos conterrâneos. Nestes temas, temos o dever de deixar de lado as cores partidárias e unirmos esforços em prol dos nossos munícipes.

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