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Jorge Henriques: “Apostamos na qualidade da formação a longo prazo”

A apresentação oficial da Escola de Ciclismo “Ovar, Território de Emoções” oficializou o arranque da temporada de 2018, numa cerimónia realizada na Quinta da Tojeira, em Ovar,  em que foram apresentados os corredores mais novos que vão competir nas categorias de Benjamins, Iniciados, Infantis, Juvenis, Cadetes e Juniores.

Este é um projecto desportivo e de formação que tem crescido de forma consistente ao longo dos últimos anos, pelo que se impunha ouvir o director da Escola de Ciclismo, Jorge Henriques. Foi o que o OvarNews fez.


Que balanço fez destes dois primeiros anos de trabalho?

Estou neste projecto há dois anos, desde que fui convidado para ele. As directrizes definidas foram cumpridas e o ano passado, após o términus da época, fizemos um balanço e perante os resultados obtidos, projectamos mais três anos que coincidem com a assinatura de mais três do patrocínio da EFAPEL.

Quais são os objectivos desta nova fase que agora se inicia?
É obvio que estamos a iniciar uma nova fase, uma fase com um crescimento qualitatitivo e quantitiavo bastante considerável. Em 2016, tinhamos 12 miúdos e hoje temos 30. É um crescimento notável. E temos mais variedade, ou seja, ciclismo masculino e também feminino, que é uma aposta para este ano, pois temos incorporada uma atleta sub23 colombiana, na classe de competição, que vai ser uma mais-valia em termos do projecto futuro e ajudar a promover a igualdade de género, que está na moda. Vai ser importante na promoção do ciclismo feminino em Portugal, que tem sido uma aposta que a Federação Portuguesa de Ciclismo tem vindo a desenvolver.

A formação também se foca nos resultados?
vamos iniciar a nova época desportiva dentro de dias e temos a equipa profissional que tem os objectivos focados no resultado desportivo, ou seja, nas vitórias. Aquilo que nós, na formação, queremos é realmente formar cada vez mais e melhor. Formar em primeiro lugar a essência do ser, ou seja, a parte cívica. A parte desportiva é sempre complementar, estando sempre presente, mas não é uma prioridade. Este ano, temos o primeiro escalão de competição, de cadetes, uma equipa composta por 12 elementos que vem de trás e pelo que conheço dela, é uma equipa bastante competitiva. Assim, o principal objectivo em cada prova em que participem é dar o máximo e dignificar as cores que representam e os patrocinadores. O resultado da vitória pode estar lá, e com certeza que vai acontecer, mas não estamos obcecados com esse propósito, estamos, sim, focados na qualidade na formação a longo prazo.


Já se pode dizer que o ciclismo regressou para ficar em Ovar?

Ovar tinha pergaminhos no ciclismo, é verdade. E trazer a modalidade de volta a Ovar foi a premissa quando me propus a trazer o ciclismo outra vez para ovar. Quando o presidente da Câmara Municipal de Ovar me colocou essa possibilidade, eu disse logo que se era para retomar uma tradição em Ovar como o ciclismo, os profissionais são importantes, sim, porque têm um impacto importante imediato, mas a formação é que ficará. A minha condição foi de olhar para ela como uma prioridade para garantir que no futuro vai ficar. Porque as equipas profissionais vivem de patrocínios e amanhã se a parceria que existe com o Município deixar de existir, vai ter de procurar nova casa mas formação vai ficar sempre aqui.

Está satisfeito então com as condições em que o projecto se desenvolve?
Nunca estamos satisfeitos, porque somos ambiciosos, mas também não nos vão ver a lamentar. Antes preferimos trabalhar todos os dias para conseguir cada vez mais e melhor para que este projecto consiga mais e melhor para estes jovens que estão aqui agora e para aqueles que hão-de vir com toda a certeza. Para que todos se possam sentir confortáveis e bem acolhidos e possam fazer aquilo que mais gostam no seu desporto de eleição, com as melhores condições possiveis.

PERFIL

O actual director da Escola de Ciclismo “Ovar Território de Emoções chama-se Jorge Daniel Cabral Santos Henriques, nasceu a 06/02/1969, na freguesia de Valega, concelho de Ovar.

Foi no ciclismo que deu nas vistas. Iniciou a sua carreira em 1984 e finalizou-a no ano de 1997.
Representou as Equipas do Ovarense, Travanca, C.C. Viguês- (Vigo), Alguera/Camponauto, Orima/Cantanhede, W-52/Quintanilha, Bom Petisco/Tavira e Tróiamarisco.

Ganhou etapas em muitas provas, nomeadamente na Volta ao Redondo, na Volta a Portugal do Futuro (1990 e 1992), nos Grandes Prémios Correio da Manhã e Costa Azul, na Volta ao Algarve, na Volta às Termas de Stª Maria da Feira, na Volta ao Alentejo (2) e na Volta a Portugal (1993).

Foi vencedor da Volta a Viana do Castelo, Volta a Guimarães e X Troféu Ciclista “Clube Vitória”, tendo ainda ganho 9 circuitos.

Foi 1.º classificado no Prémio da Montanha e Prémio Combinado da Volta a Ponte de Sor (1988) e ainda Campeão Nacional de Pista (perseguição individual) em 1988, tendo ainda triunfado no Circuito de Lalin.

Ganhou o Porto – Lisboa em 1995, com a camisola do Bom Petisco/Tavira.

Terminada a carreira desportiva, foi Vice-Presidente da Associação Nacional de Ciclistas Profissionais, Director Desportivo da Ovarense e presidente da direcção da AD Ovarense. É, desde 2016, director da Escola de Ciclismo “Ovar Território de Emoções”.

Fotos: Vidinha de Barrete

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