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Noite de Reis, Noite de Amor

Todos se cumprimentam, todos desejam “Bom Ano” uns aos outros. Há aqueles que só se vêm nesta altura do ano, porque a vida os afastou. A cidade está fria, mas nem um “ciclone bomba” consegue arrefecer os corações na noite de Reis. A amizade e o amor estão no ar.

Depois das ruas, praças, estabelecimentos comerciais e espaços públicos. Depois de um trago de vinho do Porto aqui, um naco do dulcíssimo Pão-de-Ló de Ovar acolá e eis que as Troupes chegam, inspiradíssimas, ao Centro de Arte de Ovar (CAO). Quando chega o momento de entrar na sala de festas da cidade é certo e sabido que as festividades do Natal e de Ano Novo estão a fechar.

Reiseiro desde sempre, Carlos Baldaia viu-se impossibilitado de calcorrear as ruas de Ovar cantando com a sua Troupe, a do Orfeão de Ovar. Assim, no Centro de Arte de Ovar, viu e ouviu toda “a magia que esta tradição encerra e que, ao frio e à chuva, os nossos trovadores vão desfiando brilhante e alegremente de casa em casa”.

Apesar de longo, o espectáculo pregou-o à cadeira mais de 3 horas – “ontem estaria pregado à cadeira do CAO, 4, 5, 10 horas, com o enorme prazer de poder ouvir as melodias e as palavras que as gentes de Ovar colocam suavemente no coração das gentes de Ovar”.

E não se pense que ficou só à espera da Troupe que integra desde 1969, – “que teve o condão de me espremer a pestana e fazer com que me caísse uma lágrima pelo canto do olho”, confessa.

Ontem, “Noite de Reis”, se já não tinha qualquer dúvida, “fiquei mesmo com a certeza de que é mesmo oportuna, sentida e enriquecedora para Ovar, Portugal e para o Mundo, a elevação do “Cantar os Reis em Ovar” à categoria de Património Imaterial de Portugal.

É uma noite de amizade entre todos e de amor à tradição. Por isso, ocorreu a Carlos Baldaia que “aquela nobre casa de espectáculos e emoções poderia facultar um espectáculo igual, em tempo útil e em exclusivo de Troupes para Troupes, assim, com pompa e circunstância, como tive a enorme felicidade de assistir”.

No final de 2016, a Câmara Municipal de Ovar submeteu com sucesso a candidatura a Património Cultural Imaterial, considerando que, apesar de partilhar algumas caraterísticas com outras práticas em Portugal e na Europa, designadas de “Cantar os Reis” ou “Cantar as Janeiras”, em Ovar esta prática sofreu, ao longo dos anos, um processo de codificação artística, social e performativa, considerada diferenciadora, uma vez que adquiriu um recorte cultural próprio, sofisticado ao nível da composição musical e poética, e especializado ao nível da performance.

A Ficha de Património Imaterial já se encontra publicada na MatrizPCI (ver link: http://www.matrizpci.dgpc.pt/MatrizPCI.Web/Inventario/InventarioConsultar.aspx?IdReg=495&EntSep=9#gotoPosition), aguardando-se a aprovação do Cantar os Reis em Ovar da candidatura a Património Cultural Imaterial de Portugal.

O presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, considera que esta homenagem urgia e está expectante de que a aprovação da candidatura “está para breve”.

No Encontro deste ano apresentaram-se 15 troupes Adultas, que criaram e apresentaram letras e músicas originais – este domingo é a vez das nove Troupes Infantis, que mantêm cada vez mais viva esta tradição.
Fotos: RSS, AR e Direitos Reservados

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