Sexta-feira , 19 Janeiro 2018
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Noite de Reis, Noite de Amor

Noite de Reis, Noite de Amor

Todos se cumprimentam, todos desejam “Bom Ano” uns aos outros. Há aqueles que só se vêm nesta altura do ano, porque a vida os afastou. A cidade está fria, mas nem um “ciclone bomba” consegue arrefecer os corações na noite de Reis. A amizade e o amor estão no ar.

Depois das ruas, praças, estabelecimentos comerciais e espaços públicos. Depois de um trago de vinho do Porto aqui, um naco do dulcíssimo Pão-de-Ló de Ovar acolá e eis que as Troupes chegam, inspiradíssimas, ao Centro de Arte de Ovar (CAO). Quando chega o momento de entrar na sala de festas da cidade é certo e sabido que as festividades do Natal e de Ano Novo estão a fechar.

Reiseiro desde sempre, Carlos Baldaia viu-se impossibilitado de calcorrear as ruas de Ovar cantando com a sua Troupe, a do Orfeão de Ovar. Assim, no Centro de Arte de Ovar, viu e ouviu toda “a magia que esta tradição encerra e que, ao frio e à chuva, os nossos trovadores vão desfiando brilhante e alegremente de casa em casa”.

Apesar de longo, o espectáculo pregou-o à cadeira mais de 3 horas – “ontem estaria pregado à cadeira do CAO, 4, 5, 10 horas, com o enorme prazer de poder ouvir as melodias e as palavras que as gentes de Ovar colocam suavemente no coração das gentes de Ovar”.

E não se pense que ficou só à espera da Troupe que integra desde 1969, – “que teve o condão de me espremer a pestana e fazer com que me caísse uma lágrima pelo canto do olho”, confessa.

Ontem, “Noite de Reis”, se já não tinha qualquer dúvida, “fiquei mesmo com a certeza de que é mesmo oportuna, sentida e enriquecedora para Ovar, Portugal e para o Mundo, a elevação do “Cantar os Reis em Ovar” à categoria de Património Imaterial de Portugal.

É uma noite de amizade entre todos e de amor à tradição. Por isso, ocorreu a Carlos Baldaia que “aquela nobre casa de espectáculos e emoções poderia facultar um espectáculo igual, em tempo útil e em exclusivo de Troupes para Troupes, assim, com pompa e circunstância, como tive a enorme felicidade de assistir”.

No final de 2016, a Câmara Municipal de Ovar submeteu com sucesso a candidatura a Património Cultural Imaterial, considerando que, apesar de partilhar algumas caraterísticas com outras práticas em Portugal e na Europa, designadas de “Cantar os Reis” ou “Cantar as Janeiras”, em Ovar esta prática sofreu, ao longo dos anos, um processo de codificação artística, social e performativa, considerada diferenciadora, uma vez que adquiriu um recorte cultural próprio, sofisticado ao nível da composição musical e poética, e especializado ao nível da performance.

A Ficha de Património Imaterial já se encontra publicada na MatrizPCI (ver link: http://www.matrizpci.dgpc.pt/MatrizPCI.Web/Inventario/InventarioConsultar.aspx?IdReg=495&EntSep=9#gotoPosition), aguardando-se a aprovação do Cantar os Reis em Ovar da candidatura a Património Cultural Imaterial de Portugal.

O presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, considera que esta homenagem urgia e está expectante de que a aprovação da candidatura “está para breve”.

No Encontro deste ano apresentaram-se 15 troupes Adultas, que criaram e apresentaram letras e músicas originais – este domingo é a vez das nove Troupes Infantis, que mantêm cada vez mais viva esta tradição.
Fotos: RSS, AR e Direitos Reservados

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