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Rodagem de “Carnaval Sujo” regressa à Moita

José Miguel Moreira prepara-se para filmar uma longa metragem

A rodagem da curta Metragem “Carnaval Sujo” regressou, este sábado, ao lugar da Moita. “Os percalços são próprios da natureza de um filme”, disse o realizador vareiro José Miguel Moreira, explicando que a “culpada” é a chuva que caiu no início da semana e atrasou a programação.

“Estamos filmar totalmente em exterior, o que é arriscado, mas este filme tinha de vir para fora”, mais concretamente para onde o Rio Cáster e a Ria de Aveiro se juntam, um local privilegiado para a observação de aves, educação ambiental e convívio com a natureza no seu estado mais puro.

“Um espaço muito bonito, muito grande, com alguma limitação de acessos e muito rodado à noite”, descreve o realizador ovarense. “Éramos para terminar neste próximo fim-de-semana e, assim, vamos prolongar, possivelmente, até segunda-feira”.

Com várias curtas-metragens no currículo, a ideia de fazer um filme em Ovar já vinha gravitando na cabeça de José Miguel Moreira há vários anos. De repente, “reuniram-se as condições para eu fazer um filme sobre o Carnaval, em Ovar e com estes actores (Pedro Rodil e Inês Costa) que conheço há algum tempo”.

Filme de autor

“Carnaval Sujo” é, na sua génese, um filme de autor, porque José Miguel Moreira é, simultaneamente, o realizador, argumentista e editor. Mas é também um projecto colectivo, porque é feito por uma equipa e a pensar no público. Segundo o realizador, este filme “é emocional porque é uma narrativa, com algumas cenas sensuais e até mesmo violentas, mas com uma temática moral séria”.

Trata-se de uma curta-metragem que “vem na sequência da memória que eu tenho da manifestação que era o Carnaval Sujo em Ovar, que conheci pelas fotos do meu pai, mas que me seduziu por ser misterioso e pagão”. “É uma temática que dá sempre filmes muito complexos, ambíguos, visuais, com alguma agressividade até e o público gosta”.

Para o realizador ovarense não fazia sentido estar a fazer um filme destes sem elementos da comunidade e então convidou actores da companhia de teatro local, a Contacto, e alguns elementos do grupo carnavalesco Xaxas, além de gente de Ovar que trabalha na área do cinema, para integrar a figuração. “O meu objectivo é fazer com que este seja um projecto nosso mas também da cidade e da região”.

Envergam o tradicional traje carnavalesco ovarense, o Dominó, personagem da ‘comedia dell’arte’ italiana, que começou a ser utilizada pelos venezianos feita de cetim ou veludo. Em Ovar, para ser menos dispendioso, foi adoptada a versão pobre, feito com tecido de sarja de cor preta. Os vareiros usam o Dominó, desde inícios do século XX, no Carnaval. Com as vestes e o capuz negros, soltando gemidos ou pequenos gritos, somos anónimos, deixa de haver formas de corpo. Não há gordos ou magros, altos ou baixos e passa apenas a existir o Dominó, a figura perfeita para o clima de tensão que “Carnaval Sujo” pretende.

Comunidade envolvida

José Miguel Moreira confessa que ainda está a procurar um estilo, uma assinatura enquanto realizador, e que este “é, simplesmente, um filme narrativo que presta atenção aos personagens, à intriga e ao que ela nos quer contar. Comunica com o público e isso nem é pejorativo. No meu ponto de vista, o cinema que não interessa ao público não vale a pena fazer”, sentencia.

As curtas-metragens, normalmente, não têm fins lucrativos, ou seja, são projectos autorais que permitem dar alguma visibilidade aos realizadores, actores, equipa técnica. No seu caso, o “Carnaval Sujo” integra-se na “preparação para uma longa-metragem que pretendo fazer mais para a frente”, desvendou o realizador ovarense.

“Carnaval Sujo” faz parte desse caminho, porque “é um filme muito complexo em termos logísticos e isso está a dar-me arcaboiço para essa longa-metragem que será cinco vezes maior do que este”, explicou.

Depois há a difusão que também interessa ao filme, realizador e patrocinadores (e à Câmara Municipal de Ovar, enquanto principal patrocinadora). A estreia do filme deverá acontecer lá para o Carnaval de 2019, já tem acordo para ser transmitido na RTP e garantido o circuito normal pelas dezenas de festivais de cinema de Portugal e da Europa.

“O filme é bom para promover Ovar, não só porque o realizador é de Ovar, mas também porque estamos falar de um filme que se passa em Ovar e os personagens falam mesmo em Ovar”. Quanto à Carnaval Sujo, a simulação é feita com lama e não com farinha.

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