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Tensão no 33.º aniversário de São João

 

Quando iniciou a sua intervenção na sessão solene do 33.º aniversário da criação da freguesia de São João, o presidente da Câmara Municipal de Ovar prometeu que não iria usar o tom de “guerrilha política” que vinha marcando a sessão. Disse estar habituado a “receber críticas com humildade” e que aquele era o momento de “realçar as conquistas do povo de São João”, manifestou a sua “solidariedade com a população de Fornelo do Monte”, formulou votos de que “uma desgraça destas nunca mais se repita” e deu os parabéns à UFO pela atitude.

Mas a polémica dos apoios financeiros previstos no acordo de execução tinha sido denominador comum de (praticamente) todas as intervenções e Salvador Malheiro não resistiu em explicar a opção. “Não há, pelo menos na região de Aveiro, nenhuma Câmara que atribua apoios extraordinários ao investimento às freguesias como nós”, começou por dizer, garantindo que não há discriminação e que o critério, além do legal, foi a correcção das assimetrias entre freguesias. “Foi uma decisão nossa”, assumiu.

De facto, o clima não lhe era favorável com criticas a choverem de todos os quadrantes: Paulo Jorge (CDU), Pedro Rodrigues (CDS) e Luís Filipe Silva (PS) tinham manifestado estranheza e discordância pela diferença de valores, com este último a ser veemente quando afirmou que a “população das freguesias da UFO merece o mesmo tratamento que as outras pessoas das restantes freguesias”. O eleito socialista lamentou ainda a “falta de mobiliário” na Casa da Junta de São/Polo de Capacitação, onde decorreu a sessão na noite de segunda-feira, e o incumprimento do Município no tocante à cedência dos recursos humanos, conforme protocolado. A este propósito, Liliana Jesus, eleita do PSD na UFO, garantiu que, “em setembro, a UFO vai poder contar com os recursos humanos acordados”.

Bruno Oliveira, presidente da UFO, também se juntou ao coro, lamentando a decisão camarária que considera ser um “desrespeito pelos cerca de 29.000 habitantes da União das Freguesias, que representam mais de metade da população do concelho de Ovar”. Salvador Malheiro mostrou-se inflexível e instou o autarca socialista a mudar de ideias e ir buscar o cheque, porque “ainda está a tempo”. A fechar as intervenções, José Fragateiro sublinhou não haver qualquer “guerrilha política”, mas antes a “defesa legítima dos interesses dos habitantes da UFO”.

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