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Troupes de Reis cantam Ovar e a realidade que as rodeia

A qualidade das Troupes de Reis vareiras continuam a cativar o público ao fim de mais de um século de tradição. A preocupação com a componente musical é uma constante das mais de duas dezenas de troupes que, desde o início do ano, percorrem as ruas da cidade, cafés, restaurantes e casas particulares. Há troupes que cantam a três vozes e todas usam vários instrumentos.

As mensagens que carregam são igualmente cada vez mais importantes. Neste particular, Maria Luísa Resende continua a ser a mais requisitada letrista das troupes. As Troupes da Ribeira, Orfeão de Ovar, Casa da Amizade, por exemplo, não dispensam os seus poemas.

Hoje, as letras versam Ovar, a Paz e o Natal, como manda a tradição, mas já se enchem de coragem e vão analisando a realidade circundante, com recados implícitos e espírito crítico. A Mensagem do Orfeão de Ovar canta assim: “Terra Mãe, ai quem nos dera/Ver-te cuidada a colher/Mais gratidão filial/ Por tantos dons que nos dás”.

A Troupe da AD Ovarense enaltece a terra: “Museu do azulejo/e do melhor pão-de-ló/no carnaval se divertem/e na praia se entretêm/na cidade de Ovar”. Mas quando a uma letra divertida se acrescenta uma melodia orelhuda, a assistência aplaude. Neste campeonato, o Agradecimento da JOC/LOC tem levado vantagem: “Uma ginginha/E um Porto D. Antónia/ Um whiskizito/E um vodka da Lapónia/Um Murganheira/Vinho doce numa jarra/E uma parra/ pra acudir à diarreia”.

Esta noite, quando terminar o périplo, as troupes vareiras encontram-se no Centro de Arte de Ovar para quem quiser apreciar. Não temos bem a certeza se as troupes estão a renovar-se em bom ritmo, mas há uma que continua jovem e Pop, é a “Tradição e Juventude”, formada só por malta jovem que conquista as plateias com o seu estilo algo irreverente.

Ao longo desta semana, as troupes levaram as toadas harmoniosas a vários pontos do concelho, de forma a preservar e divulgar uma tradição secular, com especificidades únicas.

Depois de percorridas as ruas e vielas, as casas e os comércios, nas noites vareiras, gélidas e húmidas, o encontro das Troupes de Reis de Adultos mantém-se no Centro de Arte de Ovar, um espaço mais acolhedor para as noites frias de inverno e propício a criar um ambiente familiar.

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