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Vamos partir à (re)descoberta da Camarinha?

Pinhal de Ovar tem papel importante na preservação da espécie

Florindo de março a maio e gerando fruto de julho a setembro, a espécie distribui-se apenas pela costa atlântica de Portugal e Espanha. Está também identificada no arquipélago dos Açores, mas aí na versão ‘Corema album azoricum’, enquanto na Finlândia e no Leste dos Estados Unidos da América também é observável a ‘Corema conradi’, de bagas roxas.

As mais antigas referências históricas à planta atribuem-lhe fins medicinas pelas suas propriedades antipiréticas, vermífugas e de combate ao escorbuto. Já na actualidade, grupos internacionais e investigadoras como Alda Moreira Silva e Maria João Barroca, da Universidade de Coimbra, vêm reunindo evidências de que os extractos de folhas da camarinheira têm um efeito antiproliferativo sobre as células cancerígenas do cancro do cólon.

Essas duas investigadoras de Coimbra dirigiram, aliás, diversas conferências de sensibilização no Parque Ambiental do Buçaquinho, onde analisaram o teor químico das camarinhas e o seu potencial gastronómico enquanto espécie que, a conseguir produzir-se de forma massiva, teria grande procura como fruto, como ingrediente de infusões e como elemento decorativo em pastelaria, dada a sua aparência de pérolas.

Para Sílvia Rocha, cofundadora do colectivo “The Camarinha Project”, o problema é que “a espécie está a registar uma diminuição drástica” no território português, o que se deve “ao desconhecimento sobre as suas qualidades e à crescente disseminação de espécies invasoras” como as acácias.

A engenheira ambiental explica: as entidades envolvidas na limpeza e no ordenamento florestal “não percebem a diferença entre as camarinheiras e os outros arbustos, cortam tudo a eito e isso faz desaparecer as camarinhas enquanto dá mais vigor às acácias, que, quanto mais se cortam, mais fortes ficam” – subtraindo alimento às plantas da envolvente e largando sementes que continuarão a germinar por 50 anos.

Para alertar a população sobre todas estas questões e sensibilizar as gerações mais novas para uma espécie “que os jovens desconhecem”, o colectivo pretende gravar um documentário sobre o impacto das camarinhas na memória e tradição da comunidade litoral, em especial no Pinhal de Ovar, “preservando esses testemunhos para o futuro”.

Para obter apoio financeiros para o projecto, concorreram ao último Orçamento Participativo Municipal com a proposta à (Re)Descoberta da Camarinha que ficou em 7° lugar. “Para nós, foi um resultado extremamente positivo e que nos dá alento para novas acções”.

Importante seria ainda terem um local para as suas acções que pode estar mais perto, uma vez que a Câmara Municipal de Ovar já solicitou, em maio último, a posse da antiga Casa da Guarda Florestal de esmoriz, ao abandono, ao lado do Parque Ambiental do Buçaquinho, onde o projecto gostaria de criar um centro interpretativo, com actividades para as escolas, projectos de controlo de invasoras e meios para tentar obter um estatuto de protecção para a espécie.

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