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Vitor Cacheira, de Arrais a Vereador

Os tempos difíceis da Arte Xávega

 

No meio da companha, a puxar as redes e a escolher o peixe, lá está ele: Vítor Cacheira.

Vendeu os barcos que tinha na praia de Esmoriz, onde se dedicava à Arte Xávega, para se juntar ao amigo Marco Silva, na Torreira. “A praia está muito curta e não oferece condições de trabalho”, diz Vítor Cacheira, que amanhã volta a tomar assento no Executivo ovarense, liderado por Salvador Malheiro.

O antigo arrais esmorizense sente-se bem nas “escamas” de vereador em regime de não permanência e sem pelouro atribuído. Na verdade, tem um pelouro que estará sempre a ele colado, o de representante e defensor dos homens do mar e da Arte Xávega, porque “conheço bem as dificuldades que eles passam”.

Foram essas mesmas dificuldades que o levaram a desfazer-se do “Susana” e do “Cacheira”, os barcos que tinha em Esmoriz e que agora vê, com dor, a trabalhar na praia de Paramos, em Espinho.
“Quando gostamos, este é um bichinho que não nos larga”, admite, garantindo, no entanto, “que não voltarei a exercer a Arte Xávega em Esmoriz, porque já no ano passado não foi grande coisa e estava muito cansado para continuar”.

Já sobre a experiência autárquica, adiantou que “ainda estou a começar, mas acho que está a correr bem”.

A vida não está fácil para quem se dedica à Xávega. “Não há apoios nenhuns e devia haver porque é uma arte que não existe em mais nenhuma outra parte do mundo”, lamenta o amigo Marco Silva, pescador na Torreira, arrais do “M. Fátima”.

Actualmente, estima-se que existam apenas 30 barcos desta arte, que se pratica apenas entre Espinho e Vieira de Leiria. “O “M. Fátima” construi-o eu com as minhas próprias mãos”, informa Marco Silva com incontornável orgulho. “Este é diferente porque tem 11,15 metros para albergar os dois motores que eu precisava”.

O “nosso” mar quer um barco muito mais robusto, e foi por isso lançou mãos a esta obra que lhe custou mais de 15 mil euros. “Acho que ficou muito bonito. É o maior barco da Arte Xávega de dois remos que conheço, pois os restantes estão todos abaixo das 11 metros”.

Os filhos, de 22 e 18 anos, também são apaixonados pelos barcos e andam no mar com o pai. “Já lhes disse que isto não é grande futuro para eles”, avisa. “Já me passou pela cabeça ir embora outra vez para o Luxemburgo. Mas quê? Vou deixar este investimento aqui abandonado? Não posso. A gente sobrevive”. *com Diário de Aveiro/texto de Luis Ventura/foto de Paulo Ramos)

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