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Carnaval de Ovar custou 1,43 milhões de euros em 2026 e esforço municipal subiu para 841 mil euros

Relatório final da Câmara revela aumento de 8,6% na despesa e quebra de 17,8% na receita. A chuva, que marcou fevereiro, condicionou a afluência e obrigou ao cancelamento ou adiamento de vários eventos.

O Carnaval de Ovar 2026 representou uma despesa global de 1.427.442,66 euros, mais 113.535,61 euros do que no ano anterior. Ao mesmo tempo, a receita caiu para 585.894 euros, fazendo subir o esforço municipal líquido para 841.548,66 euros.



Os números constam do relatório final, a que o OvarNews teve acesso, foi elaborado pela Divisão de Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Ovar, que faz o balanço financeiro e organizativo da edição de 2026.

A diferença face a 2025 é significativa. A despesa global passou de 1.313.907,05 para 1.427.442,66 euros, um aumento de 8,6%. Já a receita caiu 126.605,93 euros, correspondente a uma redução de 17,8%.

Logística foi a maior fatia da despesa

O relatório mostra que o maior peso da despesa esteve na logística e infraestruturas, com 504.069,74 euros.

Nesta rubrica estão incluídos 171.778,11 euros em palcos, tendas, camarins e régies, 115.967,20 euros em sonoplastia e luminotecnia, 102.274,99 euros em bancadas, estrado e estruturas metálicas, além de despesas com geradores, sanitários, limpeza, transportes e serviços de apoio aos desfiles.

A comparação com 2025 mostra que esta área foi também a que mais contribuiu para o aumento da despesa: passou de 392.520,81 euros para 504.069,74 euros, uma subida de 111.548,93 euros.

A programação e animação cultural representaram 265.002,10 euros, enquanto a segurança e vigilância custaram 140.529,61 euros. Nesta última área estão contabilizados, entre outros, os serviços da PSP, GNR, segurança privada, Bombeiros Voluntários de Ovar e emergência médica.

Apoios aos grupos praticamente não aumentaram

Apesar do crescimento da despesa global, os apoios diretos aos agentes carnavalescos permaneceram praticamente inalterados.

A Câmara atribuiu 287.375 euros a grupos, escolas de samba e associações de pais, contra 287.755 euros em 2025. Só os 24 grupos e escolas de samba receberam 244.900 euros, enquanto as associações de pais ligadas ao Carnaval das Crianças receberam 35.475 euros.

O relatório salienta precisamente que o aumento da despesa não resultou de um reforço destes apoios, mas sobretudo da subida dos custos associados à realização do evento.

Receita caiu quase 127 mil euros

Do lado das receitas, a bilheteira dos desfiles foi a principal fonte, mas registou uma quebra de 82.043 euros, passando de 358.418,50 euros em 2025 para 276.375,50 euros em 2026.

O domingo foi o dia com maior quebra, menos 58.093,50 euros, enquanto a terça-feira perdeu 30.064 euros. O sábado foi a exceção, com um aumento de 6.114,50 euros.

Também o Espaço Folião e a Grande Noite Mágica registaram reduções de receita, respetivamente de 18.432,50 e 25.904,50 euros.

Em sentido contrário, as receitas provenientes da concessão de lugares e licenças de venda cresceram 2.310 euros.

A chuva como fator determinante

A Câmara atribui uma parte importante da quebra de receita às condições meteorológicas excecionais que marcaram fevereiro.

Segundo o relatório, o IPMA classificou fevereiro de 2026 como extremamente chuvoso, com 241,7 milímetros de precipitação, equivalente a 329% do valor médio de referência. O documento refere que foi o fevereiro mais chuvoso dos últimos 47 anos e o quinto mais chuvoso desde 1931.

As condições meteorológicas levaram ao cancelamento da Chegada do Rei, do Carnaval Sénior e da Noite da Farrapada, enquanto o Carnaval das Crianças acabou adiado para 31 de maio. A festa da Farrapada realizou-se, ainda assim, no Espaço Folião.

O relatório considera que a quebra da receita deve ser interpretada neste contexto e não como sinal de perda estrutural de atratividade do Carnaval.

41% da despesa foi coberta por receita própria

Apesar da quebra, as receitas próprias do Carnaval permitiram financiar cerca de 41% da despesa global.

O município ficou, assim, responsável por um esforço líquido de 841.548,66 euros, valor que resulta da diferença entre os 1,427 milhões de euros de despesa e os 585.894 euros de receita.

O relatório defende que o Carnaval deve ser analisado para além da receita direta, considerando também os seus efeitos culturais, sociais, turísticos e económicos no concelho.

A Câmara considera o evento um investimento estratégico para Ovar, pelo impacto que tem no comércio, restauração, hotelaria, serviços e projeção externa do concelho.

Uma questão para 2027

Os números de 2026 mostram uma realidade com duas faces: o Carnaval ficou mais caro de organizar e gerou menos receita, num ano particularmente penalizado pela meteorologia.

A despesa aumentou 113,5 mil euros, enquanto a receita caiu 126,6 mil euros. O resultado foi um aumento de 240.141,54 euros no esforço municipal líquido, face aos 601.407,12 euros de 2025.

O próprio relatório identifica como principais desafios futuros a pressão crescente dos custos operacionais e a vulnerabilidade das receitas próprias às condições meteorológicas, num evento fortemente dependente da presença física do público.

É, por isso, um dos dados mais relevantes deixados pelo balanço de 2026: manter a dimensão e a qualidade do Carnaval implica um esforço financeiro municipal cada vez maior, enquanto uma parte significativa das receitas continua dependente de fatores que o Município não controla.

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