CulturaPrimeira Vista

Prostituição cresce a cada dia que passa na Estrada da Mata em Ovar




O concelho de Ovar tem área florestal da qual se orgulha das atividades de lazer ligadas à natureza, mas é, igualmente, locar privilegiado para a prática da prostituição.

Dezenas de mulheres passam os dias a vender o corpo, de segunda a sexta-feira, à beira da estrada da mata que liga Esmoriz à praia do Furadouro, passando por Maceda e Cortegaça. O corrupio de viaturas na via secundária é notório numa zona discreta que cria o ambiente para escapadelas.

“É errado e ilegal o que ali se passa, mas as autoridades policiais, normalmente, dizem-nos que não podem fazer nada. A repressão como já tentámos, não resolve o problema”, lamentou um antigo responsável autárquico. Atualmente, o tema está varrido para baixo do tapete, mas “em tempo de crise, há mais mulheres a procurar esta vida”, lamenta a mesma fonte.

Uma das queixas persistentes devido à prostituição na mata florestal resulta do acumular de lixo, que pode pôr em causa a saúde pública, pois a atividade da prostituição decorre a olho nu e em locais sem condições mínimas. A Câmara Municipal de Ovar, com o apoio da GNR, chegou há alguns anos a sensibilizar as mulheres para a recolha de preservativos em sacos de plástico a colocar nos contentores próximos.

Atualmente, o projeto “Carrinha Dá a Volta”, do Centro Comunitário de Esmoriz ajuda aquelas prostitutas a melhorar os comportamentos e ainda oferece cuidados de saúde. Todos os dias, há quase 20 anos, que a “Carrinha Dá a Volta” sai do Centro Comunitário de Esmoriz para fazer a ronda pelas estradas de Ovar.

Ao fim-de-semana sobretudo, aqueles extensos pinhais atlânticos da zona, tidos como “o pulmão de Ovar” são muito procurados por grupos de pessoas para piqueniques, convívios populares e actividades desportivas (caminhadas, corridas e BTT).

Paula é uma das mulheres que está todos os dias da semana perto de um acesso a uma das praias de Maceda. O Verão é a altura de mais clientes. “Turistas e emigrantes que vêm visitar a família. Depois há camionistas”, conta. O vestido de ganga justo ao corpo descobre-lhe as pernas. Os atributos físicos de Paula permitem-lhe uma média de dez clientes por dia, “agora em tempo de crise”.

Apesar de o mercado do sexo ser cada vez mais diverso, são cada vez mais as mulheres que vendem o corpo na berma da estrada. A explicação, segundo dizem, também se prende com a segurança. Fugir de um cliente violento numa mata é mais fácil do que gritar e pedir socorro entre quatro paredes. Mais. Na mata o sexo é barato, rápido e menos exigente.

Publicidade

Artigos Relacionados

GUIA FESTAS DO MAR 2026
Botão Voltar ao Topo