Opinião

A cultura faz bem à saúde – Ricardo Alves Lopes

O espaço cultural, na minha opinião, deve caber nas cidades (e países) com a mesma dimensão de outras áreas relevantes.

Tende-se a olhar a cultura como algo supérfluo, numa época em que é necessário reduzir abruptamente os custos e, inclusive, atacar áreas como a saúde e o ensino. Porém, a meu ver, com toda subjectividade que isso acarreta, a cultura encontra-se no patamar de relevância do ensino, ou não fosse complementar, e até da saúde.

Louco, chamar-me-ão alguns, certamente, mas eu acredito mesmo que a diversidade cultural, a aproximação da eloquência à diversão, traz benefícios a todos os níveis, obviamente incluindo a saúde. Tenho tido a felicidade de poder acompanhar, com júbilo, alguns espetáculos e apresentações de áreas que me fascinam e, no final, o resultado é sempre o mesmo: revigorado.

É verdade, depois de um bom espetáculo, ou oratória, de pessoas que admiro, ou que me surpreendem naquele momento, sinto sempre que me livrei de algumas das minhas maleitas do quotidiano e estou pronto para abraçar novos desafios. Claro que não terei estudos académicos, aqui à mão, que me corroborem esta afirmação, mas, como estou a falar de mim, sei que não há erro. Revigora.

Deste modo, gostava muito de enaltecer o trabalho que vem sendo feito por Ovar. O destaque imediato recai no presidente da câmara e no vereador da cultura, mas a possibilidade de ler a entrevista realizada, aqui pelo Ovarnews, à responsável pela programação cultural também me deixou deveras satisfeito.

Estou em crer que a aposta vincada no enriquecimento cultural da região, e consequente apoio aos dinamizadores disso, trará benefícios a todos os níveis. Uma economia não se move apenas a indústria, move-se também a comércio, a serviços e a pessoas. Parece estranho, não é? Numa altura que só se fala de números, esquece-se que o que move, verdadeiramente, a economia são as pessoas. E, assim, quem tiver olho numa terra de cegos, à partida, será rei.

Ovar ainda não é rei, mas continua a demonstrar que tem olho. E isso agrada-me. Cultura não é entretenimento. Cultura é a capacidade de pensar, reflectir e, com isso, chegar ao entretenimento, à habilidade de exercitar a cabeça e estar feliz com isso. Era bom termos cá os espetáculos da sic, da tvi e da rtp à tarde, como também eu já o referi, para a visibilidade, mas é muito melhor estarmos referidos no Público e nos suplementos de cultura do país. Leva mais tempo, está claro, mas também poderá trazer um reconhecimento mais consolidado.

Quanto ao final deste texto, gostava de dizer que não temos que ir aos espetáculos e actividades todas para estarmos a contribuir para a nossa cidade, basta-nos ir aos que nos cativam. Isso já é ajudar, porque ir para reclamar não é bom para ninguém. É um lugar que se perde e não faz bem à saúde. E, como disse, a cultura deve servir para fazer bem à saúde.

Ricardo Alves Lopes (Ral)

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