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O Bailado dos Flamingos na Ria de Aveiro

A Ria de Aveiro não é apenas um lugar com paisagens únicas e recantos tranquilos onde é possível esquecer durante horas a agitação urbana. É também um local procurado por muitas espécies de aves, que escolhem aquela zona para se alimentarem, viverem e para construírem os seus ninhos.

Se é verdade que as cegonhas já se aventuram por áreas mais urbanizadas, não sendo raro avistá-las junto a autoestradas, existem outras espécies que preferem locais mais sossegados e que podem ser avistadas em vários pontos da Ria. Entre elas, os flamingos vieram para ficar e emprestam por estes dias um colorido rosa ao cenário em tons de azul da Ria de Aveiro.

O flamingo-comum (Phoenicopterus roseus) é uma ave que se destaca de todas as outras que ocorrem em Portugal. Pode ser observado ao longo do Canal de Ovar da Ria de Aveiro até à Marinha da Troncalhada, em plena cidade de Aveiro. Na EN327, não raras vezes, estão viaturas paradas na berma para que os seus ocupantes, de máquina fotográfica em punho, possam captar a beleza e a elegância desta ave. A que é avistável na Ria de Aveiro é a maior espécie de flamingo, atingindo em média 150-160cm de altura e pode pesar pouco mais de 5kg de peso.

A Ria de Aveiro é um habitat natural com todas as características requeridas pelos flamingos: Uma zona húmida, com grande abundância de alimento, dado que se alimenta sobretudo de pequenos invertebrados, incluindo insectos, crustáceos, moluscos e anelídeos. Também se alimenta de matéria vegetal como por exemplo algas e sementes, e por vezes de peixes. A sua plumagem é branca e rosada, com penas de voo pretas, as suas patas são cor-de-rosa e o bico rosado com a ponta preta, sendo os juvenis geralmente de cor branca e acinzentada.

Os flamingos que escolhem a nossa região não apresentam tons de rosa tão vivo como outros parentes que arribam outras paragens, precisamente devido à sua alimentação. É uma espécie migradora, com migrações erráticas pelo Sul da Europa, passando em Portugal nos meses de Inverno, mas a verdade é que são visíveis praticamente durante todo o ano na nossa região, o que comprova a sua crescente adaptação e a melhoria das condições da laguna. As suas vocalizações assemelham-se às de um ganso, sendo ainda aves gregárias, aglomerando-se em bandos de dezenas ou centenas de indivíduos.

No nosso país a sua distribuição divide-se também pelos Estuários do Tejo e do Sado, Ria Formosa e Castro Marim.

A observação de aves (Birdwatching) tem conquistado cada vez mais adeptos e ao longo da Ria já é possível encontrar locais preparados para esta atividade e outros onde as espécies raras podem ser surpreendidas no seu quotidiano.

Na zona de Salreu-Canelas (Baixo-Vouga Lagunar), é habitada por trepadeiras, piscos ou chapins, garças, patos, limícolas e, ocasionalmente exemplares de águia-sapeira ou andorinhas-do-mar. As aves de rapina e as de maior porte preferem a Zona de Protecção Especial da Ria de Aveiro, uma área de 51.378 hectares considerada “Important Bird Area (PT007)”.

A Pateira de Fermentelos, a maior lagoa natural da Península Ibérica, é o habitat de espécies tão diversas como o pato-real, o guarda-rios, a águia sapeira, o milhafre-pre­to, vários tipos de garças e do pernalonga. Perto do Esteiro de S. Pedro e da Lagoa do Paraíso, abaixo da Biblioteca da Universidade de Aveiro, é possível observar borrelhos de coleira interrompida, pilritos ou os pernilongos. Os flamingos também são presença frequente na Lagoa e na Marinha da Troncalhada.

A Pateira de Frossos, por ser uma zona húmida, é utilizada para o cultivo de arroz, mas é também pouso habitual de cegonhas brancas, guarda-rios, garças, chamariz e chapim real.

No percurso da Bioria, que abrange os concelhos Aveiro, Estarreja e Albergaria-a-Velha, vivem dezenas de espécies, como garças, íbis-preta, tartaranhão-ruivo-dos-pauis, ógea, frango-d’água, narceja-galega, combatente, gaivina-dos-pauis, cuco-rabilongo, torcicolo, pisco-de-peito-azul, felosa-unicolor, papa-amoras ou escrevedeira-dos-caniços.

A Foz do Cáster, o percurso entre a Ponte de Varela e o Cais da Béstida ou a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto são outros locais imperdíveis para quem gosta de observar aves no seu habitat natural.

Nesta viagem pelas maravilhas da natureza desta região, aprecie também a beleza da paisagem, navegando pela Ria numa das muitas embarcações tradicionais que realizam passeios turísticos.

E para fazer uma pausa ou terminar da melhor forma um dia cheio de momentos inesquecíveis, nada melhor do que saborear as excelentes especialidades gastronómicas que existem na região.

(Fotos de Mixan Saraiva e Beleza)

 

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