Opinião

A falar mal, ou bem, é que a gente se entende – Ricardo Alves Lopes

Vou falar de coisas que não sei bem. Quero que me perdoem, mas sinto-me nesse direito. Sou cidadão, vivo em Ovar e com Ovar, portanto não há nada, aparentemente, que me impeça de fazê-lo.
Antes de mais, gostava de salutar o que para uns parece mau, mas para mim parece óptimo: a forma como se passou a esmiuçar tudo o que em Ovar se faz. Não falo de politiquices, que nesses jogos não me envolvo, falo de uma entrega maior à cidade, de uma atenção cuidada a tudo o que por cá se faz, seja para criticar ou elogiar.

Há pessoas que apenas criticam, bem sei, mas também não me compete a mim julgá-las, quando também sou um miúdo que para aqui gosta de vir alvitrar as suas opiniões, sem certezas de estarem correctas. Eu gosto de abrir discussões, ao contrário do que pensam. Partilhar a minha opinião não é altruísmo, é interesse. Quando com ela, com a minha opinião, consigo que se abra uma discussão já estou a ganhar, mesmo para os que só queiram ver o negro das coisas e apontá-lo como o correcto. Não consigo ser essa pessoa cinzenta, confesso, gosto muito mais de luz, de acreditar que os sonhos se realizam. Realizem ou não.

Portanto, é com atenção que tenho visto as típicas discussões a propósito do Carnaval pelas redes-sociais. Rio-me, mas também fico a pensar. Todos temos opiniões, é justo. Mas falar do desfile de sábado à noite ser gratuito como um erro, não posso concordar. Reparem no decréscimo de pessoas que tem acontecido, ao longo dos últimos anos, em relação a esse desfile e cogitem sobre isso. Tradicionalmente, não é dos desfiles que traga mais pessoas de fora, pois essas guardam-se para sábado ou domingo, podendo apreciar um desfile completo. E as pessoas de cá, as ovarenses, atendendo à crise e não sendo elementos de grupos, necessitam fazer a sua gestão. E pagar por dois desfiles é cada vez mais complicado.

Todos sabemos que uma escola de samba a desfilar à noite, com os habituais brilhos que levam, terá um impacto visual bastante mais forte; todos sabemos que as pessoas devem unir-se em torno do carnaval, por ser uma festa da terra; mas também todos sabemos que só estamos dispostos a pagar pelo que gostamos. Portanto, se nos últimos anos as pessoas se têm afastado desse desfile, como podem achar uma má estratégia estar a voltar a oferecê-lo, para recuperar essa ligação?

Se no futuro irá ser pago, ou não, não me compete a mim avaliar. Mas reunir as pessoas em torno dessa actividade, que ano após ano tinha menos gente, não pode ser visto como populismo. Talvez até seja, não tenho como saber, mas isso não me incomoda, desde que resulte em coisas positivas. Sabem aquelas bancas que há nos supermercados, com iogurtes ou cafés, que nos dão a provar sem custos? Pois, é a mesma coisa. Se eu provar e gostar, estou mais disposto a pagar.

Mas, como vos disse no início, não sei bem do que estou a falar. Tenho apenas a minha opinião e tomei a liberdade de partilhá-la com vocês. Se está certa, se está errada, o tempo o dirá. Não os maldizentes costumeiros, ou optimistas inveterados. Não são as pessoas que corroboram as nossas opiniões, são as ocorrências. Não se esqueçam disso. E um bom carnaval para todos.

Ricardo Alves Lopes (Ral)
www.ricardoalopes.com
http://tempestadideias.wordpress.com

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