Opinião

A Festa do Avante no actual contexto – Álvaro Santos

A realização da Festa do Avante este ano e a consequente previsível concentração de 100 mil pessoas constitui, na minha opinião, um profundo atentado ao Estado de Direito Democrático.

Acima de tudo, constitui um desrespeito pelos mais elementares direitos dos cidadãos portugueses (sim, todos aqueles que pagam o seus impostos e com isso, também, financiam o SNS), assim como, coloca em perigo a saúde pública de toda uma sociedade que tem feito tantos sacrifícios e tem sido tão martirizada, nos últimos meses, com necessários confinamentos e fortes condicionalismos às múltiplas actividades profissionais.

É um acto de profunda inconsciência que coloca em causa todo o esforço colectivo que tem sido feito para sairmos desta crise o mais rapidamente possível e, sem dúvida, compromete a retoma económica que o nosso país tanto precisa.

Já nem me refiro à profunda injustiça social e económica que esta iniciativa vai desencadear, quando comparada, por exemplo, com a proibição de outras iniciativas desportivas, culturais ou sectoriais, afigurando que vivemos num país com dois pesos e duas medidas.

Surpreende-me que esta iniciativa seja promovida por um partido com a longa tradição histórica e a coerência de princípios pelos quais o Partido Comunista sempre se pautou em Portugal.

Mas o que mais me surpreende é como é que o Governo e a DGS (com o beneplácito do Presidente da República) permitam esta iniciativa.

Nada me move contra o Partido Comunista Português (confesso que também, nem a favor), mas um Estado dito de Direito Democrático, não pode, nem deve, permitir este tipo de ousadias.

Senão, é a autoridade do próprio Estado que passa a estar em causa.

Álvaro Santos
Sócio-gerente / Agenda Urbana
Ex-presidente PSD/Ovar

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