Opinião

A Humanidade é quando um homem quiser – Sérgio Chaves

Quando nos encontramos no conforto da nossa cadeira a olhar para o écran, muito provavelmente já podemos assumir um cenário em que se há computador ou TV, há casa, deve haver carro, alimentação e escola e dizemos nós que tudo vai mal. É a eterna questão das expectativas. Se dermos um empurrão ao globo e ele parar logo aqui perto, em África, rapidamente tornamos esse sem número de “comodismos” que eram dados adquiridos, em sonhos e utopias.

Um pouco de humanidade podemos todos nós tentar ter ou não será mesmo assim? Ao cidadão comum, dentro das suas limitações isso é possível, pois depende somente da sua vontade, já aos que governam, fazer a diferença não está ao alcance. Desta vez louvo o nosso Primeiro-Ministro quando diz que Portugal gostaria de ter um papel mais activo no que toca aos imigrantes que desesperada e desgraçadamente vêm de África para tentar alcançar a Europa prometida. A questão é que não pode, pois depende da União Europeia, e esta tenta a todo o custo continuar a assobiar para o ar e que a maioria da despesa continue a ser feita por quem está mais à mão, neste caso a Itália, onde chegam as pessoas e os barcos, ou o que deles resta.

Naturalmente que a minha opinião não colherá a simpatia de todos, mas vai no sentido de que embora exista desemprego e crise em Portugal, existe uma parte significativa do interior do país que, mesmo com grandes incentivos não conseguirá reduzir o êxodo demográfico. Não me chocaria nada que, ao invés de aldeias destruídas e desabitadas, alguns desses imigrantes pudessem ter aí um novo recomeço e, juntamente com outras medidas de choque, permitissem a quem não tem emprego nem residência no litoral e grandes centros se podesse fixar no interior. Com o repovoamento voltam a poder existir alguns pequenos negócios, algumas escolas, alguns professores e…sobretudo alguma esperança!

Poderão dizer: e então os emigrantes? Primeiro estão esses portugueses, onde estão as condições para eles não partirem de cá? Concordo e daria seguramente para debater e escrever muitas páginas, e parte dessa questão também é explicada pela liberdade de escolha e circulação (que felizmente temos) mas o que estou a tratar hoje é de humanidade e sobrevivência, de gente que morre pela guerra, por não comer, por não ter basicamente nada (incluindo precisamente a dita liberdade de escolha e de circulação). Quem sabe pudesse ter naquilo que por vezes desprezamos o seu pedacinho de céu.

Sérgio Chaves

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