Covid-19Opinião

A importância da vacinação contra a COVID-19 – Por Dr. Delfim Teixeira

A vacinação contra a covid-19 é a nossa maior esperança para combater a pandemia e permite proteger-nos individualmente contra a doença e as suas complicações, bem como contribuir para a proteção da saúde pública, através da imunidade de grupo.

Todavia, muitas pessoas permanecem reticentes e preocupadas quanto à sua segurança e eficácia. Apesar das vacinas terem sido desenvolvidas de uma forma relativamente rápida, para haver a sua aprovação foram garantidas a sua qualidade, segurança e eficácia, através de ensaios clínicos e de uma avaliação rigorosa da
Agência Europeia de Medicamentos. Os ensaios clínicos das vacinas contra a COVID-19 decorreram de acordo com os procedimentos habituais para ensaios de qualquer vacina.

Outro receio de parte da população é a possibilidade de, ao sermos vacinados, podermos desenvolver a COVID-19 e ficarmos doentes. Não, não podemos ser infectados através da vacina, dado que nenhuma das vacinas que foram desenvolvidas contra a COVID-19 contêm o vírus vivo que causa a doença, pelo que esta não pode ser responsável por ficarmos infetados com COVID-19. Podem surgir algumas reações adversas que geralmente são ligeiras e desaparecerem alguns dias após a vacinação, nomeadamente: dor ou inchaço no local da injeção, fadiga, dor de cabeça, dores musculares, dor nas articulações ou febre. Isto pode ocorrer apenas pela reação do nosso sistema imunitário, como pode ocorrer com qualquer vacina.

Existem relatos que são publicados na internet/redes sociais sobre pessoas que tomaram a primeira dose da vacina e que dias mais tarde estão infetadas com COVID-19. Há várias explicações que podem fundamentar a infecção por COVID-19 nessas pessoas, sendo que nenhuma delas é o facto de a vacina ter despoletado a doença.

Desta forma, convém ter conhecimento que:

  • o esquema completo de vacinação consiste na administração de 2 doses davacina que, consoante a marca, pode acontecer após um intervalo de 21dias entre a 1ª e a 2ª dose ou um intervalo de 28 dias, e a imunidade só éadquirida 7 dias após a 2ª dose;
  •  a pessoa vacinada pode ter contraído COVID-19 nos dias antes e estarassintomática e surgirem os sinais da doença poucos dias depois davacinação;

Salienta-se que, apesar da elevada eficácia, as vacinas não evitam completamente o risco de infecção. Contudo, as evidências demonstram que as poucas pessoas vacinadas que foram infectadas posteriormente desenvolveram geralmente formas pouco graves de COVID-19 devido ao reforço do sistema imunitário, sendo esse também um dos principais objetivos da vacina.

Desconhece-se ainda se estar vacinado impede que possamos ter uma infecção assintomática. As vacinas conferem protecção contra a doença, mas não necessariamente contra ser portador e transmissor do vírus, sem exibir sintomas. Apenas as máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas
caso sejamos portadores do vírus sem o saber, pelo que se mantêm essas recomendações.

Consoante a sua profissão, idade e doenças crónicas irá ser contactado pelo Serviço Nacional de Saúde quando chegar a sua vez para ser vacinado. Pode fazer uma simulação em https://covid19.min-saude.pt/vacinas/ para saber em que fase deverá ser vacinado.

Vacine-se e ajude a proteger os mais vulneráveis e, mesmo após a vacinação, mantenha a utilização de máscaras e o distanciamento social, por si e para si!

Delfim Teixeira
Médico Interno
USF João Semana

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