Cultura

“A maior aventura do mundo” passou pelo Furadouro

Chegou a Aveiro, deslocou-se ao Forte da Barra, apanhou um “ferry” e viajou até São Jacinto. “É muita distância?”, Mateus Coutinho Aguiar perguntou aos outros passageiros que lhe responderam que “não”, era “um instantinho”.

A ideia é ir a pé, junto à costa até ao Porto e daqui até Santiago de Compostela, em Espanha. Esta semana percorreu S. Jacinto, Torreira, Furadouro. E foi aqui que o encontramos, a caminhar, rumo ao seu destino.

Aos 61 anos de idade e após percorrer 22.903 quilómetros a pé por 16 cidades do mundo, o brasileiro Mateus Coutinho Aguiar ainda se sente suficientemente em forma para avançar para sua próxima aventura: bater o recorde mundial e entrar para o livro dos recordes, o Guinness Book.
Hoje a marca pertence ao americano David Kunst, que percorreu 23.250 quilómetros.

Tudo começou em 1975, tinha então 22 anos, quando se pôs a caminho do Rio de Janeiro, decidido em conhecer o mundo. Mas os planos tiveram que ser adiados até que os três filhos estivessem criados e formados, e aos 51 anos a aventura começou. “Fumava dois maços de cigarros por dia e deixei de fumar para conseguir”, conta.

Bastaram 27 dias a bordo de um navio cargueiro para que os planos de vida de Mateus Coutinho mudassem. Mateus partiu de Belém, no Pará, com destino a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a pé. “Caminhei 7.193 quilómetros em 259 dias e cruzei 17 estados brasileiros. O meu primeiro desafio foi esse, inesquecível”.

A viagem iniciou-se a 2 de Junho de 2004, desenhou toda a costa brasileira e a proeza rendeu a Mateus inscrever o seu nome enquanto detentor de recorde brasileiro de maior percurso feito a pé. O título deixou o caminhante ainda mais animado e deu-lhe gás para novas aventuras: continuar a aventura pela América Latina. No livro que o acompanha religiosamente, apresenta registos onde aparecem passagens por Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia e seguiu até o Panamá. Nesse caminho, enfrentou de tudo: de desertos a montanhas geladas, passando pelas FARC, na Colombia. Tudo ultrapassou. Especial foi atravessar o deserto do Atacama. “Foi inesquecível”, relata..

Já lá vão dez anos de caminhada que deram origem a três edições de revistas escritas pelo próprio Mateus, com o apoio da Prefeitura de Belém do Pará. E uma quarta edição está a caminho para relatar a sua próxima meta. Depois de ter preenchido dois passaportes e já estar o encher o terceiro, os planos centram-se em Portugal, onde chegou em Julho último, e na Europa. Em Portugal, Mateus vai fazer o trajecto das cidades homónimas do Pará e de Portugal e voltar a Santiago de Compostela, onde já esteve.

“Quero dar o meu contributo para as relações harmoniosas entre Portugal e o Brasil, lembrando que até partilham cidades com o mesmo nome”, justifica, sempre bem-disposto e afável. Por cá, inestimável é o apoio dos bombeiros que nunca lhe negam dormida. “Depois que a minha caminhada se tornou conhecida por cá, aparece muita gente com vontade de ajudar”, diz, destacando a veia solidária dos portugueses.

Não tem planos para ir à Ásia ou a África. Para já vai fazer os países da União Europeia e deve regressar ao Brasil a 29 de Dezembro. Para 2015, pretende ir às ilhas das Caraíbas até chegar a Cuba. De Cuba pretende atravessar para Miami, Estados Unidos e Canadá. Quando isso acontecer, tem tudo para se tornar recordista mundial.

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