CulturaSlider

A “Pop de Intervenção” de Luís Varatojo nos melhores do ano

Fomos ver a digressão de Luís Varatojo no âmbito do lançamento do álbum de estreia “Técnicas de Combate”. Luta Livre é um projeto interventivo que chegou para salvaguardar a honra e o propósito da luta e para agitar consciências. “Técnicas de Combate” é o nome do avanço do músico e esteve em digressão nacional durante parte do ano, em várias salas de norte a sul do país.

Luís Varatojo é um inconformado por natureza. Depois de projectos como Peste & Sida, Despe e Siga, Linha da Frente, A Naifa e Fandango, o músico encontrou forma de transmitir a sua mensagem, fazer a catarse do talento e o resultado foi um álbum que é um dos melhores do ano da música portuguesa. Nós falamos com ele.

O que é a Luta Livre?
É um projecto que resulta de um olhar interventivo sobre a sociedade e a actualidade.

Pode dizer-se que é um moderno projecto de intervenção?
Sim, esta é uma forma de expor uma perspectiva sobre a realidade do quotidiano, a desigualdade social, as injustiças, a desinformação, o impacto ambiental e tantos outros temas que me preocupam enquanto cidadão.

Isso traduz-se nas composições?
Todo o conteúdo lírico do disco tem a ver com questões reais do nosso tempo, relacionadas com o clima, o social, as relações com os outros e a nossa participação da sociedade.

E em termos musicais também?
Os ingredientes misturam jazz e rock com um discurso de intervenção social e político cada vez mais em desuso – mas nem por isso menos actual. Os temas são sérios, mas há um ‘groove’ que trespassa todo o disco que consubstancia um acto de intervenção artística, mas também um acto de cidadania.

Os políticos estão no ponto de mira?
Julgo que, nos últimos anos, tem-se cultivado um certo descrédito em redor da política e dos políticos e isso é algo que me preocupa porque, entre outras consequências, a abstenção é uma coisa que me preocupa, porque tento ser um cidadão activo.

Como é que surgiram estas canções?
Sou um cidadão activo, um consumidor ávido de notícias, o que me levou a guardar algumas que achei curiosas, outras pela sua importância ou outras por serem pertinentes. Foi para essa massa de textos que olhei, porque achei que podia tirar histórias, fazer dali canções e um disco. E foi isso mesmo que aconteceu a partir somente, às vezes de um frase, outras vezes de um parágrafo, uma página.

As palavras têm todo um peso…
sim, logo a começar pelo termo Luta Livre, por exemplo, foi um nome que me surgiu porque chamou-me a atenção o facto de ser ou ter sido uma disciplina olímpica em que valia tudo e essa palavra, especialmente, em termos musicais que reflecte todo um percurso e uma experiência.

O que nasceu primeiro? O nome ou a ideia do projecto?
Os nomes são um espelho do que o disco tem lá dentro, mas primeiro nasceu o projecto e só depois o disco. Mas o disco só foi baptizado depois de ter as canções todas escritas e só aí é que pensei no conceito que melhor se adequava.

O artista é aquilo que é mais aquilo que foi, não concorda?
Olhando para trás, há um caminho que não esqueço mas não quero voltar a pisar. Quando vou para estúdio nunca faço a mesma coisa que já fiz, experimento técnicas e instrumentos e o meu critério é: se me está a agradar avanço. O disco tem canções que são o fruto dessa estética livre, dessa abertura eclética e, por isso, se chama Luta Livre.

Sente que as pessoas estão a ouvir as canções e as suas mensagens?
Acho que sim, as pessoas ouvem estes temas que abordam estas temáticas embebidos em ‘groove’, músicas que se dançam, que divertem quem as ouve e é isso que tem acontecido nos nossos concertos, evidentemente. Ou seja, os temas são entregues às pessoas mas nunca de forma pesada para facilitar essa absorção de conteúdos.

Com que contingente se faz acompanhar pelo país?
Ao vivo, é importante assinalar a participação vários músicos e amigos convidados como Kika Santos, Edgar Caramelo, João Pedro Almendra, Nelson Cabral, Ivo Palitos, Diogo Santos. Trago este elenco todo que está comigo desde a estreia no Teatro Maria Matos, em Lisboa, porque também participou no disco, é um privilégio e faz com que os espectáculos tenha mais qualidade.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao Topo