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A tradição da Benção do Gado na Capela de Santo António

A manhã do dia de Santo António, em Ovar, era marcada pela tradicional Missa e Bênção do Gado, que se realizavam junto à capela, durante anos a fio.

Não sendo Santo António conhecido por especial protecção aos animais, muitos questionam porque nasceu esta tradição. A resposta pode estar num facto da vida do Santo que nasceu e foi baptizado com o nome Fernando de Bulhões, em Lisboa, entre 1191 e 1195. No entanto, viria a adoptar o nome de António, em homenagem a Santo Antão. Ora, Santo Antão é o protector dos animais domésticos e um dos eremitas mais ilustres da história da Igreja.

Acresce ainda que há quem defenda a teoria de que a actual Capela se ergueu das ruínas de uma antiga ermida dedicada a Santo Antão.

Seja como for, o povo vareiro foi mantendo a devoção mas a tradição foi-se perdendo. Na década de oitenta do século XX ainda eram visíveis muitos animais em redor da capela no dia consagrado ao Santo (ver fotografia de Augusto Rodrigues).

A Missa enchia a capela de fiéis e arranjos florais, ao mesmo tempo tempo que os agricultores traziam pão para ser benzido e oferecido aos presentes na celebração.

No cumprimento de promessas, os animais davam três voltas à Capela, o que se traduzia, igualmente, num dia de trabalho para os serviços de limpeza da autarquia que eram lestos a limpar os dejectos dos animais, na sua maioria, bois e vacas, mas também se viam cabras, cavalos, cães, gatos e… galinhas.

Com a desertificação da lavoura, os animais (e os donos) deixaram de comparecer e nem mesmo os agricultores dos lugares mais próximos continuaram a fazer jus à tradição – este ano, em princípio, não seria possível devido à pandemia.

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