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Alexandra Gondin e Gabriela Frutuosa “escrevem” cultura no feminino

Ministério da Cultura destaca a Cultura e o Património Imaterial escritos no feminino

A Direcção Regional de Cultura do Centro (DRC-C) foi à procura das mulheres que ajudam a contar e a manter a história da região e em Ovar encontrou duas.

Maria Alexandra Gondin da Fonseca Rodrigues Pacheco, nasceu em 1962, em Ovar. Iniciou estudos de ballet aos 4 anos, que desenvolveu em diversas escolas e foi aluna de Pirmin Treku. Fez exames de Clássico na Royal Academy of Dancing e de Moderno na Imperial Society of Teachers of Dancing.

Realizou cursos e workshops em várias áreas da dança: clássico, moderno, contemporâneo, jazz, sapateado, sevilhanas, flamenco e danças folclóricas. Participou, criou e organizou eventos culturais e de formação a convite da sociedade ou de iniciativa própria. É professora de dança no Porto, no Sindicato dos Professores da Zona Norte, e em Ovar, na Academia de Artes Maria Amélia Dias Simões, onde também criou um núcleo de poesia e promove workshops de dança, teatro e artesanato.

O outro nome destacado pela DRC-Centro é Maria Gabriela Fernandes Marques Frutuosa. Nasceu em 1974, em Ovar, e começou formação em dança – ballet clássico, aos 5 anos, no Orfeão de Ovar. Fez ginástica e teatro no Grupo Acção Cultural de Válega. Teve aulas da Prof. Eva da Companhia de Dança de Aveiro, onde fez curso intensivo de dança moderna, ballet e dança oriental.

Na Academia de Dança “All About Dance” fez percurso na dança Jazz, contemporâneo e hip-hop. Como complemente desta vertente artística formou-se em design de moda na Escola de Moda Gudi, no Porto, destacando-se a sua participação no concurso de “captação de novos estilistas”. Complementa formação em danças medievais.

Tem dirigido nos últimos anos vários projetos, como o Grupo Carnaval Os Bailarinos de Válega, a associação Sonhos de Violeta, responsável pelo corpo de dança, coreografa e bailarina na empresa Acal, na viagem medieval em Santa Maria da Feira e coreografa e formadora da Cerciesta e, mais recentemente, a direção artística da Escola de Música e Dança de Valdágua.

A DRC-C refere que grande parte das histórias das estruturas culturais têm uma voz feminina. “O que normalmente não conhecemos é a história destas mulheres e da sua ligação à cultura, por isso, fomos à procura delas, contando com o apoio de várias pessoas e entidades que ao longo da última semana nos enviaram várias histórias de mulheres cujo trabalho e empenho na promoção e manutenção da identidade e memória coletivas e das tradições foi/é relevante”.

No total, são cerca de duas centenas os contributos que salientam as histórias de mulheres e do seu saber-fazer: da saxofonista que aos 12 anos se tornou a primeira mulher a integrar as fileiras da (ainda hoje) sua banda filarmónica, à artesã que se dedicou à cestaria em bracejo para cuidar do marido, até à professora que, depois de se aposentar, moveu tudo o que estava ao seu alcance para abrir o Museu Escolar (hoje integrado na Rede Portuguesa de Museus).

Conhecemos ainda a história de vários grupos corais e etnográficos integralmente compostos por mulheres, grupos esses que são hoje a memória viva das suas aldeias e das suas tradições. Neste processo, percebemos também que muitas são as bandas filarmónicas e os ranchos folclóricos da região que contam com a dinâmica da energia feminina ao comando. Tivemos ainda a felicidade de confirmar que existe uma onda crescente de artistas contemporâneas que regressaram às origens, dos materiais e das suas gentes, como base do seu processo criativo e de produção. E isto é apenas o “levantar de véu” dos contributos que recebemos e que temos a honra de partilhar ao longo desta semana com todos”.

O desafio é conhecer um pouco mais destas histórias de vida e que as partilhem, ampliando a nossa voz e fazendo eco do extraordinário trabalho realizado por estas mulheres em prol da cultura.

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