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Missão: Melhorar a “experiência do Carnaval de Ovar” para foliões e espectadores

É também por isto que se diz que em Ovar se começa a trabalhar no Carnaval seguinte mal acaba o anterior. Com vista a planear os festejos de 2017, o vereador Alexandre Rosas assim fez, chamando a si todos os intervenientes ao longo dos últimos meses.

Várias têm sido as reuniões realizadas logo após os desfiles de 2016, começando pela reunião de rescaldo efectuada com todas as 24 associações carnavalescas. Aqui ficou clara a existência de dois pontos que geraram descontentamento gerl: A avaliação dos jurados, a forma como os mesmos são “escolhidos” ou nomeados e, claro, o tempo de desfile.

Era preciso encontrar uma solução. Privilegiando o diálogo entre todos, foram criados dois grupos de trabalho – um para tratar da Avaliação e outro os Tempos de Desfile. Os representantes de todos os Grupos e Escolas e o Serviço de Carnaval “analisaram profundamente todas as questões relativas aos dois maiores problemas do nosso Carnaval”, explica Alexandre Rosas.

No final dos trabalhos, foram apresentadas três propostas de alteração das actuais normas de avaliação – Carnavalesco, Passerelle e Escolas de Samba, e a criação de normas para o desfile.

Classificação dos Grupos/Escolas

Relativamente às normas de avaliação de cada uma das categorias, foram introduzidas propostas de alteração relativamente aos itens de avaliação de cada jurado, ou seja, agora, em vez de avaliar todos os itens, cada jurado deverá avaliar apenas um item. Foram introduzidas também, em cada uma das normas, um “novo” artigo número 2, onde se prevê que cada Grupo/Escola possa apresentar à organização, até 31 de Dezembro de cada ano, três nomes para fazer parte dos diferentes júris de avaliação no Carnaval do ano subsequente.

“Cabe depois à Câmara Municipal de Ovar seleccionar os jurados que entender, não tendo qualquer obrigatoriedade de respeitar a indicação dos Grupos”, lembrando Alexandre Rosas que “não é fácil ao executivo conseguir que as pessoas aceitem convite para jurados”.

Outra alteração substancial é que os jurados não serão de imediato conhecidos do público, como sucede agora, apenas havendo a correspondência da nota atribuída a um número de júri. “Essa identificação apenas será do conhecimento do executivo que divulgará a correspondência entre o número do jurado e a pessoa em causa, por alturas da Páscoa”, indica o vereador da Cultura.

Com esta alteração, “pretende-se acabar ou diminuir drasticamente os ataques pessoais de elementos dos Grupos aos jurados, ainda sob o efeito do descontentamento da classificação obtida, que se desvanece com o decorrer do tempo”, espera o autarca. Outra grande alteração “que facilita o nosso trabalho” é que deverão acabar os ‘ex-aequos’ em todas as categorias, estando previstos, nas três categorias, factores de desempate, o que até hoje só estava previsto para a avaliação das Escolas de Samba.

Horas a mais

No que concerne às normas de desfile, Alexandre Rosas tem a noção perfeita de que “é inconcebível que o desfile do nosso Carnaval se inicie pelas 14h30 e termine cerca das 20 horas”. Assim, em conjunto com os grupos e escolas, foi igualmente criado um conjunto de normas que visa solucionar a questão.

E a solução encontrada e já foi aprovada em Assembleia Geral de Grupos e Escolas de Samba, realizada a 27 de Julho de 2016, parte do princípio de que o desfile terá 900 metros e passará a estar identificado com uma bandeirola a cada 100 metros. Aos Grupos e Escolas, face ao número de elementos de cada, será atribuído antecipadamente ao desfile o número de metros a ocupar, e depois o andamento terá que ser contínuo, mantendo esse espaço e velocidade de desfile.

Os grupos terão dois delegados de desfile, um no início do Grupo/Escola e outro no final (identificados com colete a fornecer pela CMO), que serão os únicos responsáveis pela velocidade de desfile do seu Grupo, sabendo que cada 100 metros terão que ser feitos em 6 minutos, “tempo calculado com base na média da cabeça do desfile nos últimos 6 anos”, esclarece Rosas.

Os Grupos terão 3 locais de controle de tempos de passagem, onde estarão os elementos da organização, com cronómetros a marcar os tempos de passagem e os referidos delegados de desfile validam esses tempos em impresso próprio.

Penalizações na calha?

A medida mais polémica vem a seguir e Alexandre Rosas espera que “nunca seja preciso aplicar”. Aliás, a medida ainda está em apreciação no departamento jurídico da autarquia e não deverá entrar em vigência em 2017. Em tese, no final do desfile, cada Grupo/Escola pode ser penalizado com um ponto, na classificação final, por cada minuto de atraso em cada um dos 3 pontos de controle. Após o somatório de 5 minutos de atraso, ou seja a partir do 6 minuto além dos pontos na classificação, poderão ser penalizados com 1% na verba a receber, ou seja 74 Euros para cada Grupo e 147,50 Euros para cada Escola.

O objectivo é fazer com que a cabeça do cortejo demore apenas 54 minutos a percorrer os 900 metros – em 2016, demorou 83 minutos) e o desfile iniciado pelas 14h30, termine pelas 18 horas.

Como estas normas são arrojadas e carecem de “experimentação”, a sua aplicação, na penalização da pontuação, acontecerá já no Carnaval de 2017, mas no que concerne à penalização financeira, a acontecer sê-lo-á apenas em 2018.

Em suma, “queremos que o nosso Carnaval se torne mais competitivo e este tem sido um trabalho difícil para o qual foi preciso coragem”, resume Alexandre Rosas.

Mais competitivo

“Queremos que a experiência de assistir ao Carnaval de Ovar se torne cada vez melhor também para o peão, pelo que vamos instalar plataformas que vão possibilitar uma visão bastante melhorada”, adianta Alexandre Rosas que também pretende introduzir melhorias na iluminação e ainda proceder à retirada da rotunda da BP, tornando-a amovível, retirando-a no Carnaval de modo a que o corso se torne mais fluído.

“Chegamos, em conjunto, à conclusão de que a curva provocada pela rotunda, imediatamente antes de entrada nas bancadas (e agora também dos camarotes), criava espaços vazios e alguns atrasos que estão identificados”.

No que toca à eventual cobertura do corso, a ideia está em andamento, mas não pode concretizar-se em 2017. “Estamos a contactar empresas, a recolher orçamentos, no sentido de poder encontrar uma cobertura que seja versátil e possa servir para outras manifestações durante o ano, trazendo a sua utilização vantagens à cidade”.

A Petição

A petição para o regresso da tenda à Praça das Galinhas não chegou à edilidade, mas o vereador com o pelouro do Carnaval, está resoluto. “A questão é mesmo de segurança, porque não há ali saídas de emergência”. “As pessoas são livres de fazerem petições, mas a segurança para nós é sagrada. No entanto, continua a haver condições para aquela praça ter animação”, conclui.

O Carnaval de 2017 está em marcha e Novembro deverá conhecer toda a programação.

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