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António Fonseca quer gravar a integral de “Os Lusíadas” em audiolivro

O actor António Fonseca, que tem andado pelo país a dizer na íntegra “Os Lusíadas”, de Camões, quer gravar um audiolivro com todos os dez cantos do poema épico, mas lamenta o desinteresse em relação ao projecto.

António Fonseca iniciou um processo de angariação de 4.000 euros pelas Internet (“crowdfunding”), para custear parte da gravação integral da obra de Camões, e tomou a decisão quase como uma “provocação”, como contou à agência Lusa.

“Acho vergonhoso que uma obra como esta, a maior obra da literatura portuguesa, não tenha – que eu saiba – uma versão em audiolivro. Nunca recebi subsídio nenhum pelo que faço, vou bater a várias portas [apoios institucionais] e levo um ‘não’. Pode ser que o povo queira ajudar”, disse o actor.

António Fonseca disse, pela primeira vez, os dez cantos de “Os Lusíadas”, a 10 de junho de 2012, no âmbito de Guimarães Capital Europeia da Cultura, mas o trabalho de apropriação do texto de Camões para a oralidade começou em 2008.

É um trabalho de esforço físico e mental que António Fonseca descreve quase como obsessão diária.

Depois daquela estreia em Guimarães, o ator tem feito apresentações pelo país, em espetáculos de interpretação integral da obra, que dura um dia inteiro, ou numa versão mais reduzida, escolhendo excertos.

Na interpretação integral de “Os Lusíadas”, António Fonseca declama nove cantos da obra, deixando o décimo e último canto para uma interpretação coletiva com a comunidade de cada localidadde aonde se desloca.

É isso que vai acontecer a 30 de maio, no Centro Arte de Ovar, a 06 de junho, no Theatro Circo de Braga, a 10 de junho, no Teatro do Campo Alegre, no Porto, e a 13 de junho, no Centro Cultural de Felgueiras.

António Fonseca está há sete anos imerso nesta epopeia sobre os portugueses e Portugal, escrita por Camões há mais de 400 anos, narrando-a para adultos e crianças, e tinha a ambição de os registar em áudio.

“‘Os Lusíadas’ são muito difíceis de ler e fáceis de ouvir e acho que resultaria em audiolivro”, sublinhou.

A campanha de angariação de verbas começou no dia 21 – pode ser vista em http://ppl.com.pt/pt/prj/gravacao-audio-os-lusiadas -, mas os 4.000 euros são apenas uma parte do orçamento de 21.000 euros para a gravação de oito horas do poema épico.

António Fonseca garantiu que ainda não se cansou da obra. “Dá-me um certo gozo este alheamento, este desprezo absoluto do poder político pelo projeto. Há público pelo país para ouvir a obra, há escolas”.

O ator ainda alimenta o sonho – “e isto é um sonho” – de executar a interpretação integral de “Os Lusíadas” nos Açores, entregando cada um dos cantos aos habitantes de cada ilha do arquipélago.

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