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“Argila” ou o poder da criação estreia hoje no Centro de Arte de Ovar

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Três intérpretes – André Araújo (bailarino), Ariana Silva (artista de circo) e Cláudia Berkeley (atriz) – trabalham a argila no centro do palco que é transformado, pela mão do Teatro da Didascália, numa roda de oleiro. Entre movimentos e dança, num ato de criação intrínseco ao ser humano, um novo intérprete surge neste trabalho de transformação: a argila. É este material que dá o mote à nova produção da companhia originária de Joane (Vila Nova de Famalicão). Argila: no princípio era o Verbo tem estreia absoluta agendada para esta noite (26 de abril), às 22 horas, no Centro de Arte de Ovar.

O encenador, Bruno Martins, disse ao OvarNews que, “ao olharmos para esta roda de oleiro gigante, somos levados a intuir que há aqui uma metáfora sobre a criação do mundo”. Então, os três intérpretes – André Araújo (bailarino), Ariana Silva (artista de circo) e Cláudia Berkeley (actriz) – que trabalham a argila no centro do palco, “são uma espécie de seres enviados ou mensageiros, discípulos, colocados ali para começar a habitar este espaço”. No início, o dito espaço está vazio e vive da “repercussão do que eles vão descobrindo com a voz, dos movimentos ou ainda através do reconhecimento da plasticidade da matéria; eles são alguém que acaba de chegar a um espaço que também é novo para eles”, admite Bruno Martins.

Argila: no princípio era o Verbo é o terceiro e último projecto da companhia – após a criação de One Man Alone (2014) e O Vigilante Nocturno (2018) –, que tem por base a exploração da matéria e dos materiais, a partir dos quais a mão humana se serve para manipular, transformar e esculpir. O último ato desta trilogia é resultado de um trabalho transdisciplinar que tem marcado as criações do Teatro da Didascália.

Inicialmente a argila não era mais que um elemento que servia de base ao processo de criação, mas a matéria ganhou vida própria, como se houvesse nela o desejo de dançar. O palco passou a contar com quatro intérpretes – sendo que um deles não quer ser dirigido –, que dão asas a uma necessidade profunda do ser humano: criar.

Com base na dança, na manipulação de objectos, no jogo dramático da cenografia – circular e rotativa –, o espetáculo assemelha-se a uma espécie de aparelho de circo que coloca os corpos em desequilíbrio. É um combate entre os intérpretes e a matéria, traduzido numa coreografia de movimentos que expressam o esforço, a frustração, a resiliência, o insucesso e a introspecção que estão na origem da criação artística.

Moldar argila é ter nas mãos o poder do “Grande Criador”
No palco desenrola-se uma dança hipnótica e ritualista representativa do movimento das mãos do oleiro, enquanto procura dar forma às suas peças. Mais uma vez emerge a necessidade de projectar no exterior do próprio ser humano uma obra que traduza um pensamento, como se nessa transformação da argila estivesse o poder do “Grande Criador”.

Os bilhetes para a estreia no Centro de Arte de Ovar têm o custo de cinco euros. Após a passagem por Ovar, o espetáculo será apresentado no âmbito do DDD + FITEI, no Porto (11 e 12 de maio); no Theatro Gil Vicente, em Barcelos (19 de maio); no Territórios Dramáticos – promovido pelo Teatro da Didascália, em Joane, Vila Nova de Famalicão – (24 de maio); e na Casa da Criatividade, em São João da Madeira (18 de outubro).

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