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Axu-Mal: 30 Carnavais cada vez mais jovens

canto certo

As letras já estão iluminadas desde o Natal. Na rua Alexandre Herculano, em Ovar, a sede dos Axu-Mal não passa despercebida a ninguém. As portas estão sempre abertas para algum amigo que queira entrar, sentar-se, jogar umas “suecadas” ou apenas conversar. É este o espírito. Aqui, o Carnaval é verdadeiramente o ano inteiro.

Fundados em 1987 por um conjunto de amigos – muitos deles faziam parte dos extintos Malhos – que acharam que “velhos são os trapos” e criaram um grupo de pessoas mais velhas, com o objectivo de preservar algumas das características do verdadeiro Carnaval vareiro fora dos corsos.

Nesse ano, “vieram a Ovar actuar os GNR, e para abrir o espectáculo convidaram uma banda de garagem vareira – os Axu Bem. Na primeira reunião para a escolha do nome, há um elemento que diz: “Oh pá… Há um grupo em Ovar que se chama os Axu Bem, então vamos ser os Axu-Mal! E para o espectáculo já sei… também vamos ser os GNR – Grande Noite de Reis!”, porque a nossa forma de actuar assemelhava-se aos grupos de reis.”, costuma contar Álvaro Rocha, um dos “progenitores” dos Axu-Mal.

Ontem, juntaram-se para celebrar 30 anos e mais uma vez divertiram quem os viu na Praça da República. Na sexta-feira, durante a noite que lhes é dedicada – a Grande Noite de Reis, o grupo sai à rua e de bar em bar, tocam e cantam músicas que, embora falem das grandes questões nacionais ou internacionais, com uma forte carga política e social, têm sempre uma pontinha de brincadeira.

E lá irão cerca de 50 homens vestidos de negro, cartola e uma espécie de capa de estudante, munidos de instrumentos de corda e com as vozes que ainda lhes sobra. Os vareiros já não passam sem os Axu-Mal e sentam-se nas ruas e nos cafés à espera deles.

Álvaro Rocha explica que há muito que percebeu que as pessoas ouvem melhor uma crítica num contexto de brincadeira, do que se ela emergir de um discurso ou saltar das páginas de um jornal. Mas o mais importante, salienta, é que os Axu-Mal procuram sempre a imparcialidade, “todas as críticas, todas as cantorias, tudo o que é feito, não importa quem está no poder. Quem tiver de ser criticado é. E aí granjeamos respeito.”

É aqui que está a essência dos Axu-Mal, “a forma como abordamos os assuntos e conseguimos comunicar com as pessoas e que as pessoas comuniquem connosco”.

Max

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