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Banda do Lau “renasce” e torna-se numa associação de educação musical

Fosse este um ano normal e os músicos da Banda do Lau já teriam as “modinhas” de Carnaval na ponta dos lábios para as partilhar nas ruas da cidade, animando os foliões nesta fase do ano.

Na gaveta ficam, em 2021, o chapéu de palha com fita azul escura e a camisola branca com riscas horizontais vermelhas, ou seja, a indumentária característica da Banda do Lau.

Passaram mais de 50 anos desde que, em 1971, Ladislau Pereira Rodrigues juntou vários amigos que tinham em comum serem músicos da Banda Filarmónica Ovarense (BFO) e formou a Banda do Lau para desfilar no Carnaval de Ovar, dando “música” ao grupo Pinguins. Falecido em 2008, Ladislau Pereira Rodrigues foi um filarmónico em fliscorne da BFO, tendo aí desempenhado as funções de solista e chefe de naipe. Quem o conheceu enaltece-lhe a sua humildade, capacidade de trabalho e respeito.

Quando o corso transitou do centro da cidade para a Avenida de Sá Carneiro, em 2000, a banda ainda acompanhou o carro alegórico do Rei a fechar o desfile, mas pouco depois depois desapareceu do corso e interrompeu a sua actividade. Em 2004, a Banda do Lau realiza a sua última actividade inserida nos desfiles do Carnaval de Ovar, dada a inexistência de enquadramento para a sua performance, uma vez que começam a ser tomadas outras opções musicais quer pelos Grupos de Carnaval, quer pela Fundação do Carnaval de Ovar.

Filho de um dos músicos fundadores da típica banda, quando Ascendido Silva foi convidado para a direcção musical do espectáculo “Agulha, Linha e Dedal”, em 2012, “convidei oito músicos para acompanhar as modinhas do Carnaval e dei por mim a pensar: Mas isto é a Banda do Lau!” Estava dado o mote. A Banda do Lau não estava morta. “A partir daí, começamos a trabalhar com este executivo e voltamos à rua”. Dada dinâmica do agrupamento, a Banda do Lau rapidamente evolui, começando a realizar outras performances fora do carnaval, como arruadas e bailes, adoptando um estilo muito particular.

De início, timidamente, “fomos fazendo uns bailes e algumas apresentações em Estarreja, nomeadamente nas Festas do Santo António e na Cerciesta, e no Encontro Internacional de Gigantones, em Braga, onde fomos o único grupo de sopros que lá ia”.

Quando integrou a Banda de Lau pela primeira vez, em 1989, Ascendino Silva estava longe de adivinhar que iria desempenhar um papel fundamental no seu ressurgimento. “Sempre tive um carinho grande pelo senhor Lau”, referência maior da banda que lhe herdou o nome. “Ficaria admirado, mas também orgulhoso, se hoje visse no que se tornou a sua banda”.

Fundação em 2018
“O Carnaval de Ovar foi durante vários anos palco para estes agrupamentos, sendo que todos eles tinham origem nas Bandas Filarmónicas da região”, contextualiza o músico ovarense. Desde então, a Banda do Lau tem realizado inúmeras apresentações, de norte a sul do País, animando festas populares, desfiles, arruadas, carnavais, bailes e galas.

Até que a Associação Musical Banda do Lau foi fundada oficialmente no dia 14 de Agosto de 2018, dando continuidade e prestando tributo ao agrupamento musical de animação de rua original que chegou a ser homenageado na decoração de uma das ruas do Carnaval de Ovar de 2020.

Ascendino Silva, dirigente da agora associação, explica que foi “um processo muito natural, do ponto de vista institucional”. A Associação da Banda do Lau agora não está sozinha e conta com uma parte pedagógia dedicada ao ensino da música – A FUSA. E tudo foi acontecendo bastante depressa: Em janeiro do ano seguinte, “estávamos nós a preparar a ida à festa de Burgães e somos convidados para ir a Válega e aí nasce a Banda Sinfónica de Ovar, a parte mais séria e formal do projecto, digamos, dentro da tradição das bandas vareiras. Há muitos entendidos que defendem o que eu desvalorizo, do sinfónico e filarmónico, mas eu acho que são iguais. São as ambas as coisas, esporadicamente”.

Num ano normal, a Banda do Lau já estaria a preparar as suas habituais arruadas carnavalescas. “Estamos parados”, confirma. Este tem sido um período dificil, a parte pedagógica aguentou-se, a Banda do Lau ainda fez animação no Natal e a Banda Sinfónica uma aparição, em janeiro de 2020, “num desfile de aniversário do rancho Moliceiros da Marinha, de Ovar. Trabalhamos em sinergia com as associações da terra e os Moliceirioso comemoraram 40 anos e têm uma parceria connosco que é muito boa, pois disponibilizam nos um espaço muito bom para ensaiarmos”.

Ler artigo de Luís Ventura in Diário de Aveiro.

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