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Bartolomeu Lima, o melhor do Brasil na Avenida Central do Furadouro (com vídeo)

Não está em cartaz, simplesmente chega, guitarra a tiracolo, chapéu de ‘boiadeiro’, barba por fazer. Arma a cadeira, senta-se, começa a cantar, voz doce, sotaque açucarado.

É um regalo ouvi-lo na Avenida Central do Furadouro, acompanhando-se à guitarra, em temas da MPB, e no meio alguns clássicos da música portuguesa com o mesmo tratamento.

“Tanto palco e palanque com música de péssimo gosto por aí e, às vezes pergunto: cada um tem aquilo que merece e eu não mereço, ainda”, desabafa.

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“Não é só uma questão financeira”, diz, “é muito duro para os verdadeiros artistas, aqueles que têm o verdadeiro dom, sabe?”

A caixa da guitarra está aberta e os veraneantes que passam lá vão depositando algumas moedas às quais o cantor brasileiro agradece individual e personalizadamente. E continua.

Por outro lado, “alegro-me por saber que há um tempo determinado para todas as coisas neste mundo”.

Mas Bartolomeu não está zangado com ninguém, “apenas um pouco triste, porque estudamos tanto para nos doarmos ao público com qualidade e passamos por vezes despercebidos…” “Nem um sorriso pelo bom trabalho desenvolvido… às vezes até nos tratam mal”.

Porquê? “Porque não estou naqueles programas de TV, não sou famoso, e esse é o perigo porque nem tudo que dá na televisão é bom, é apenas fogo de palha”.

“O perigo de não reconhecer o que é realmente bom atrapalha muito o desenvolvimento do mundo em todos os quadrantes”. “Gosto da rua e de cantar de graça, mas corre-se o risco de ninguém valorizar”.

E isso é o mais triste da história de Bartolomeu Lima, 56 anos e quase quatro décadas dedicadas à música.

Atualmente a residir em Esmoriz, define-se como um “músico de rua” e em plena avenida Central do Furadouro, sentado num banco com a viola entre os braços, canta para quem passa.

Foi em 2018 que decidiu deixar o Brasil onde sempre trabalhou na música, vivia da música, chegou a ser professor de artes em Mato Grosso e gravou vários cd’s. Depois largou tudo, vendeu o que tinha e veio para Portugal.

Inicialmente, tinho o objetivo de estudar, fazer um mestrado em Ciências da Cultura, trabalhar num projeto infantil. Mas depois decidiu ficar nas ruas.

No início foi difícil, “o dinheiro que trouxemos acabou e não tínhamos trabalho. Mas comecei a tocar nas ruas para mostrar a qualidade do meu trabalho e depois fui sendo convidado para batizados, casamentos e depois hotéis. A rua é o maior palco que conheci na minha vida.”

Bartolomeu Lima e a esposa sentem-se acolhidos em Portugal e o regresso ao Brasil não faz parte dos planos, com a música diz que tem uma vida feliz. “A música consegue mexer com sentimentos e chamar a atenção das pessoas. É um instrumento poderosíssimo, se a soubermos usar para o bem fazemos a diferença em qualquer parte do mundo.”

 

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